quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

Plantação de árvores 2014

Neste fim-de-semana a Associação Transumância e Natureza organizou mais uma iniciativa de plantação de árvores na Reserva da Faia Brava, inserida no programa "1 Milhão de Sementes para o Vale do Côa".

Os voluntários não se deixaram assustar pelo nevoeiro que toldava a vista no horizonte, e começando bem cedo no sábado, dia 22 de Novembro, plantaram mais de 1200 árvores e 2000 bolotas, em diferentes locais da Reserva da Faia Brava.

 

As bolotas semeadas foram maioritariamente de carvalho negral (Quercus pyrenaica), sobreiro (Quercus suber) e azinheira (Quercus ilex), tendo sido plantadas a uma quota mais elevada, especialmente em encostas graníticas que apresentam um estado prematuro de regeneração.

A maior intervenção foi feita em linhas de águas, onde foram plantados freixos (Fraxinus angustifolia), lódãos (Celtis autralis) e os últimos 500 medronheiros (Arbutus unedo) adquiridos através de uma campanha de sócios iniciada em 2013.


PORQUÊ PLANTAR ÁRVORES?
O Vale do Côa, até ao final da década de 60, era um importante local de cultivo de cereal, especialmente centeio, uma das poucas culturas que sobrevivia nas condições geomorfológicas e climatéricas desta região. A agricultura e o pastoreio comprometeram a existência de árvores no Vale do Côa, e os sucessivos fogos que com frequência ocorrem na área, impedem o crescimento de um coberto vegetal mais denso, sendo a paisagem dominada por espécies pioneiras como giestas (Cytisus multiflorus) e outros arbustos.

As condições climatéricas inóspitas, com invernos muito frios e verões secos de elevadas temperaturas; a baixa pluvosidade na região (com uma média de 500 ml por ano) e a existência de herbívoros e outras espécies silvestres como o javali, comprometem o sucesso das plantações no Vale do Côa.

A maioria das plantas não consegue sobreviver o primeiro verão, razão pela qual se tem apostado na recuperação das linhas ripícolas, onde potencialmente terão maior probabilidade de sobrevivência. Importa no entanto salientar que existem locais onde as plantações foram bem sucedidas.

Desde 2005, a ATN cria as suas próprias árvores no viveiro florestal, com sementes recolhidas na região.

QUE ESTRATÉGIA?

Este ano alterámos a estratégia de plantação, optando por utilizar socalcos, espaços entre rochas, arbustos e outras barreiras naturais (nas linhas de água) que permitam defender a árvore de predadores durante os seus primeiros anos de vida. Além disso, serão criadas pequenas zonas de controlo, para apurar as causas da baixa sobrevivência das espécies plantadas.

Já com outras espécies como os carvalhos (as três variedades acima referidas), o método com maior probablididade de sucesso é implementação directa de semente no solo, no entanto também a taxa de sucesso é reduzida, uma vez que muitas sementes são ingeridas pelos animais na Reserva.

Desde 2005 a ATN já semeou mais de 502 000 bolotas, com o apoio de voluntários. Obrigada a todos os participantes na plantação deste ano







Vale do Côa no blog do Rewilding Europe | Côa Valley at Rewilding Europe's blog

In the rural backcountry of Northeastern Portugal lies Castelo Rodrigo, a tiny village that any person will be delighted to visit and enjoy. It sits on a hilltop and offers spectacular views over the surrounding land. Land that has been dominated by man since millennia, but where wildlife is now beginning to come back. 

See the original blogpost here.

Castelo Rodrigo village, Portugal, with the statue of Christ redentor in front.
Castelo Rodrigo village, Portugal, with the statue of Christ redentor in front.
Staffan Widstrand / Rewilding Europe

The Mediterranean landscape around here is rough, rocky and greenish, with the few fertile lands dominated by olive and almond tree groves, grain fields and vineyards. While in the hills, along the river banks and in the terrain that is too stony to farm, nature here has been coming back. The sheep grazing has all but disappeared and many people have left the poor farming life for the towns and cities, instead providing space for natural oak forest and wild grasslands to come back, creating new corridors and living space for wildlife.

Côa Valley, Western Iberia rewilding area, Portugal.
Côa Valley, Western Iberia rewilding area, Portugal.
Niek Meister 

Castelo Rodrigo, is known as one of the twelve Historical Villages of Portugal, where every street corner or narrow passage reveals the story of those who lived there over the centuries. Ana Berliner and António Monteiro, both biologists coming from Lisbon, decided to stay and live here. The village was almost completely abandoned when Ana and her husband Antonio decided to take over a couple of old ruins and renovate them into an elegant, comfortable and guest-house, the Casa da Cisterna.  Today it is one of Europe’s finest B&B’s.

Fourteen years ago they also began, together with some good friends and colleagues, to establish the first private protected area in the country – the Faia Brava Reserve – owned and managed by an NGO, Associação Transumância e Natureza (ATN). The region is crossed by three rivers (Côa, Douro and Águeda) that has carved deep cliffs and  created amazing sites for large cliff-breeding birds like eagles, vultures and storks.

Located along the Côa River, Faia Brava has also become part of the Western Iberia rewilding area, where apart from several species of vultures and eagles, natural grazing with large herbivores has begun to develop and there are clear plans also to reintroduce several missing wildlife species, like the red deer and the Iberian ibex. It is already also a breeding site for the Tauros project, aiming to bring back an ecologically functional and wild-living version of the aurochs. That has started off here with the ancient cattle breed Maronesa. Also the wild horse has been brought back, beginning with the ancient Portuguese breed Garrano. Anna arranges trips for her guests to visit the Faia Brava reserve for those who want, and she is also a certified archaeological guide to show people around in the Côa Valley Archaeological Park.

Casa de Cisterna B&B, Castelo Rodrigo, Portugal
Casa de Cisterna B&B, Castelo Rodrigo, Portugal
Staffan Widstrand / Rewilding Europe

Last year, with the support of Rewilding Europe Capital (REC), the specialist financing division of Rewilding Europe, Ana had another neighbouring house renovated, now being able to offer to the visitor no less than eleven bedrooms, where tradition, elegant design and modern function come together. This was the first of all REC loans and it has already been proven a success.

- “This year the occupation rate for visitors from Central Europe increased 35%”, says Ana. “Casa da Cisterna is very well located, placed at the heart of a historical village and surrounded by an incredible landscape. It is perfect for those who are looking for natural experiences, quietness and some exclusivity”, she continues. Looking forward, she aims to increase the number of guests, while keeping on providing them with unique, top quality experiences, also on the gastronomic front.

During spring and summer, meals are served on the terrace, with the Côa Valley as a background view. One can opt for a refreshing dip in the swimming pool or for an outdoor activity such as a walk with donkeys, a guided tour to natural areas or a visit to the Côa Valley Archaeological Park, an open-air archaeological site with more than 2,000 rock carvings from the Paleolithic era. It is unique in Europe and listed as a UNESCO World Heritage Site. The four most important and common motifs of the carvings are aurochs, wild horse, Iberian ibex and red deer, telling a very clear story of the wildlife that once lived here and that could also come back here. It is even written in rock!

Ana Berliner, owner and operator of Casa Cisterna Bed and Breakfast. Near the Faia Brava reserve, Coa valley, Portugal, Western Iberia rewilding area
Ana Berliner, owner and operator of Casa da Cisterna Bed and Breakfast. Near the Faia Brava reserve, Coa valley, Portugal, Western Iberia rewilding area
Staffan Widstrand / Rewilding Europe

“Thank you for creating such a fantastic and charming place”, wrote Charlotte, a guest from Belgium who stayed at Casa da Cisterna last summer. One of the countless compliments Casa Cisterna has received over the years.

A stay in Casa da Cisterna is included in the five-day trip “Discover Wild Portugal”, together with visits to the Faia Brava Reserve and unforgettable stone age moments in the Côa Valley Archaeological Park, It is also the Grand Prize (for two) in the December draw of the Rewilding Europe Travel Club, to be drawn in December.

If you are not yet a member, it is strongly suggested to become one!

Check out the draw here: http://www.rewildingeurope.com/travel-club/what-can-i-win/

terça-feira, 18 de Novembro de 2014

A visit to the Douro Valley



 Não somos apaixonados apenas pelo Côa. Toda a região interior revela uma beleza natural única, especialmente se falarmos do Parque Natural do Douro Internacional. Na semana passada um grupo da ATN teve a oportunidade de visitar alguns dos locais mais espectaculares do Vale do Douro. Espreite a história escrita na primeira pessoa pelo Niek, um estagiário holandês que está neste momento a cobalorar na ATN.

We are not passionate only about Côa. All region reveals an unique natural beauty, specially if we mention the Douro Natural Park. Last week a group from ATN had the chance to visit some of the most amazing sites at the Douro Valley. Read the complete story, wrote by Niek, a dutch intern who is now collaborating with ATN.

Friday 17 November we got the opportunity to visit the Douro Natural Park.
Our first stop after we left was near a small house with a good view over the valley and on a vultures breeding site.  

We crossed the border for a short look on the Spanish side.  The different way of land use, population density and fire prevention created ad landscape with more forest.  Some slopes are almost fully covered with trees.  There is land in common property that is used for extensive grazing with cows. Between the trees are small open spaces with short grass.

The third point on our way is a old medieval and maybe even roman road with a bridge over the Ribeira do Mosteiro. On the way to this place we catch a glimpse of some blue birds that could be the blue rock thrush (melro azul). There are some small abandoned houses and an orchard with orange trees.

Point four goes further back in time to a prehistorically period where people made a engraving of a horse on a rock near the river.  It is relatively warm on this altitude (around 150 meters above the sea level) There are Holm oaks which are already flowering. (at the same time some acorns sprout while they are still some on the trees).

Point five gives us a breathtaking view from a high rock near the river.
On the road to the next point we did see a giant strawberry tree and we took the opportunity to taste the fruits.

The last point is very high and should give us an great view but the weather gives us no chance to see anything at all.  Down in the clouds we could hear the streaming water and there is a statue from senhora do Douro.




quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

+ 500 medronheiros, strawberry trees @ Faia Brava

No ano passado a ATN iniciou uma campanha para  aquisição de 1000 medronheiros, uma espécie endémica que infelizmente existe em baixa quantidade na Faia Brava, sendo especialmente importante para a alimentação de aves e mamíferos que habitam a Reserva.
500 medronheiros foram adquiridos no ano passado e os últimos 500 acabaram de chegar ao viveiro florestal da Faia Brava.

Os medronheiros vão ser plantados já no próximo fim-de-semana de 21 a 23 de Novembro, e toda a ajuda é bem-vinda.

A ATN agradece a todos os sócios o sucesso desta campanha.

http://www.atnatureza.org/index.php/8-noticias/158-plantacao2014


Last year ATN started a campaign for buying 1000 strawberry trees, an endemic specie that is not frequent at Faia Brava, and is an important food supplier for the birds and mammals that live at the Reserve. 500 strawberry trees were planted last year and the last 500 just arrived the greenhouse at Faia Brava.

They will be planted on the 22-23rd of November, at the annual Tree Plantation activity. Check the details and come help us reforesting the Côa Valley.

ATN thanks to all members the sucess of this campaign.

terça-feira, 11 de Novembro de 2014

Estudantes de Ecoturismo | Ecotourism students @ Faia Brava



A 7 de Novembro, um grupo de finalistas da licenciatura em Ecoturismo da Escola Superior Agrária de Coimbra visitou a Faia Brava. À chegada, o território da Reserva que se avistava logo desde aquela entrada sul exercia um poder de encantamento que nem o senhor João, motorista do autocarro escolar, quis perder a oportunidade de entrar por ali à descoberta com o grupo. 
A visita foi guiada com todo o empenho por Bárbara Pais, responsável pela comunicação e turismo da ATN, que levou os participantes a identificar elementos da flora por ali encontrados, a reflectir sobre os efeitos nefastos do fogo na paisagem, a conhecer a produção biológica de azeitona da reserva. 

A certa altura, a caminhada fez o grupo chegar perto de um cavalo garrano que por ali pastava solitário. Para a maior parte dos presentes foi fascinante o avistamento de um animal daquela envergadura em condição de relativa liberdade (estado semi-selvagem). Mas a surpresa maior foi que este, vendo o grupo a aproximar-se, não tenha decidido fugir, mas tenha vindo ao encontro do grupo. Aproximou-se calmamente e foi se chegando à vez a cada pessoa, deixando-se acariciar, como que a cumprimentar cada uma delas. Então, já seguro quanto à ausência de malícia desta gente humana, pôde o garrano seguir caminho, incentivando também o grupo a prosseguir o seu. 

Do alto de uma imensa bola granítica assente no topo de um morro sobre o vale do Côa, o grupo ouviu falar sobre a variedade de aves rupícolas que frequenta as ravinas da margem do rio dali avistadas, bem como de muitas outras temáticas biológicas, ecológicas e até arqueológicas que aquela paisagem fazia trazer a propósito.  

No último troço da caminhada, ainda se viram três vacas maronesas, mas estas, não tão confiantes quanto o garrano, ou já tomando maior gosto à sua autonomia face aos humanos, foram mantendo a distância. Ainda assim, não conseguiram evitar que ficasse feito o registo fotográfico.

Porém, o brinde final oferecido por este refúgio de vida selvagem aconteceu já em hora de merenda junto ao portão da reserva. Oito grifos vindos de lugar incerto por ali ficaram a traçar no ar as suas características trajectórias vorticosas, permitindo a sua observação.


Nutridos do seu farnel e da rica experiência ecológica, os estudantes seguiram rumo a outras paragens, dando continuação à sua viagem de estudo.


Text by Frederico Ferreira, Photos by Niek Meister
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On the 7th of November, a group of  finalists of the Ecotourism degree from ISAC (Agrarian Superior Institute of Coimbra) visited the Faia Brava Reserve. At the main entrance of Faia Brava, the mystical enchantment of wild nature brought them the will of discovering the Reserve, and not even Mr. João, the bus driver, let go the opportunity of  exploring with the group.

The tour was guided with all dedication by Bárbara Pais, responsible for communications and tourism at ATN, that helped the participants on identifying the flora that could be seen. Students were also stimulated to consider the negative impacts of fire on landscape and they learned also about the organic olive production at the Reserve.

At a certain point, the group found a garrano horse that was roaming alone. For the majority it was a fascinating moment, to see an animal with that span, in a semi-wild condition. But the biggest surprise was to witness that instead of running away from humans, the horse started to walk towards the group. He approached slightly to be touched by each one of them. Then, already secure of the non-malicious intentions of this humans, the horse followed is own way, and the group did the same.

On the top of a huge granite cliff over the Côa Valley, the group learned about cliff breeding birds that nest across the canyon. They also heard about other subjects of biology, ecology and archaeology.

On the last part of the walk, tree maronesa cows were seen, but those, not so confident as the horse was, kept a safety distance from humans. Still, they could not avoid to be caught by the photographic cameras around.

However, the biggest gift offered at this sanctuary of wildlife came at the meal time, near the main gate of the Reserve: 8 griffon vultures, coming for an uncertain place, start gliding in circles, as they always do, letting to be watch by the students.

After a good meal and an enriching ecological experience, the group followed their trip.