sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Um pouco cedo, mas já há ovos de tritão na Faia Brava! A little early, but we found newt eggs in Faia Brava!

Na semana passada fomos ajudar o Casper, um aluno de estágio holandes no seu trabalho de campo na Faia Brava. Ele está a fazer a amostragem e identificação das plantas aquáticas existentes nas charcas temporárias da Reserva da Faia Brava.

E, no meio das plantas, tivemos uma agradável surpresa: encontrámos ovos de tritão num dos charcos! Passado umas horas, outra surpresa: mais ovos noutro charco! Apesar de ainda estarmos em Janeiro, parece que o tempo agrada aos anfíbios, que já começam em actividade! Os ovos pertencem a Tritão-marmoreado (Triturus marmoratus) ou a Tritão-pigmeu (Triturus pygmaeus), duas espécies muito semelhantes e difíceis de identificar, sobretudo os ovos.

As quatro espécies de tritão que existem em Portugal colocam os seus ovos individualmente numa folha de vegetação à superfície, dobram-na com as patas traseiras e seguram até ficar "colada". Daí a importância da vegetação nativa para ter charcos saudáveis e cheios de biodiversidade.

(Obrigado ao Pedro Verdejo Diaz e ao Rafael Vazquez Graña do grupo Anfíbios& Répteis de Portugal pela identificação dos ovos)

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Last week we were in the Faia Brava helping Casper, a Dutch internship student, with his fieldwork in the Reserve. He is sampling and identifying the aquatic plants of the temporary ponds of the Reserve.

Among the plants, we had a nice surprise: we found newt eggs in one of the ponds! A few hours later, another surprise: more eggs in a different ponds! Even though we are still in January, it looks like the weather is already pleasant enough for the amphibians, which are already bursting with activity! The eggs belong to Marbled-newt (Triturus marmoratus) or to Southern-marbled-newt (Triturus pygmaeus), two very similar species and difficult to tell apart, specially the eggs.


The four species of newts existing in Portugal place their eggs individually on a plant leaf near the water surface. Then they fold it carefully and hold it with their hind legs until the folding holds. This is one of the reasons why it is so important to have good native vegetation in a healthy and bio-diverse ponds.

(Thanks to Pedro Verdejo Diaz and Rafael Vazquez Graña of the group Anfíbios& Répteis de Portugal for identifying the eggs).





segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Jos Hoekerswever - A vida de um estagiário na Faia Brava | Jos Hoekerswever - The life of a intern in Faia Brava


"Faia Brava. Apaixonei-me tão rápido e intensamente que poderia ter sido um sonho.

Chamo-me Jos Hoekerswever, tenho 24 anos e sou holandês. Em 2015 entrei em contacto com a ATN na esperança de conseguir um estágio, eles mostraram-se entusiasmados com a ideia e propuseram que fizesse  algo relacionado com os anfíbios e repteis aquáticos da Faia Brava, por isso, na Primavera desse mesmo ano comecei o meu estágio.

Boas-vindas calorosas e gente simpática foram as minha primeiras impressões da ATN e dos portugueses.
A primeira vez que entrei na reserva da Faia Brava para apanhar um garrano foi fantástica, produziu em mim uma sensação pura e familiar de como a natureza devia ser.
Por todo o lado pássaros cantavam numa paisagem polvilhada de carvalhos, azinheiras e arbustos. No ar, os abutres pairavam em busca de algo com que alimentar os seus recém-nascidos. Grandes herbívoros vagueavam em liberdade enquanto as borboletas saltitavam de flor em flor. A partir desse dia eu soube, esta ia ser uma fantástica experiência de campo.

Comecei a minha monitorização de anfíbios e repteis aquáticos na Faia Brava que, até então apenas apenas possuía um inventário genérico. Não existia informação sobre a distribuição e quantidade relativa, informação necessária para uma melhor conservação das espécies.

Vivi a maioria do meu estágio em Algodres, devido à proximidade desta localização com a reserva da Faia Brava, local onde tinha de desenvolver a minha pesquisa. Os momentos passados em Algodres foram maravilhoso, essa antiga aldeia medieval onde conheci gente fantástica. Eles convidavam-me a beber do seu vinho artesanal, a juntar-me a eles em festejos tradicionais e ajudavam-me com qualquer problema que eu tivesse, isto com uma barreira linguística a 100%!
Sempre que podia, apoiava os locais nas suas tarefas agrícolas e até cheguei a ajudar um pastor numa ordenha, até altas horas da madrugada.
Foi tão bom ver uma tamanha diversidade numa pequena zona agrícola. No meio de olivais, amendoais e vinhas havia tantas espécies de aves.

Os meus estudos insidiam sobre sobre anfíbios e repteis aquáticos que usavam diferentes corpos de água ao longo da Faia Brava. Eu media a vegetação e fazia a contagem de cada espécie, mas também aprendi bastante com outras actividades da ATN como a anilhagem de aves, a contagem de reprodutores das escarpas e nas capturas de garranos para inspecções veterinárias.


No fim do meu estágio pude dizer que tinha feito novos amigos, pessoal da ATN, outros estagiários, mas também habitantes de Algodres. Neste momento estou de volta à Holanda, onde vou sonhando com os bons momentos e acampamento que tive. Foi dificil deixar aquelas pessoas e a Faia Brava, com toda a sua magia e biodiversidade. Mas de uma coisa tenho a certeza, vou voltar assim que puder!"



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“Faia Brava. I fell in love in such a short and intense time what could have been a dream.

My name is Jos Hoekerswever, I'm 24 years old and I'm from the Netherlands. In 2015 I contacted ATN with the hopes of doing a internship with them, they were enthusiastic and asked if I could do something with amphibians and aquatic reptiles of the Faia Brava reserve, so in the Spring of that same year I began my internship.

A warm welcome and friendly people were my first impression of ATN and all Portuguese people.
The first time I entered Faia Brava to catch a garrano horse was fantastic, it gave me a very wild and familiar feeling how nature is supposed to be.
Everywhere, birds sang in the landscape full of oaks and shrubs. In the air, vultures glided in search of something which to feed their young hatchlings. Herbivores roam freely while the butterflies hopped from flower to flower. From that day I knew, this was going to be an amazing field experience.

So I started my monitoring of amphibians and aquatic reptiles in the Faia Brava reserve, that until then it only had a generic inventory. No detailed data of the distribution and relative abundance had been performed, this was necessary for the conservation of those species.

I lived most of the time in Algodres because of its proximity to Faia Brava reserve, in which I had to do my research. My time in Algodres was brilliant, in this old medieval village I met such great people. They invited me to drink wine with them, to join them in traditional parties and helped me if I had any problem. All of that with a language barrier of 100%!
I helped the people with their land management and even helped a local shepherd to milk his sheep in the early morning.
It was very nice to see the diversity of that small scale agriculture. In the middle of the olive, almond and vineyards there where so many species of birds.

My study was about the amphibians and aquatic reptiles that make use of the different masses of waters throughout the Faia Brava reserve. I measured the vegetation and counted the numbers of each type of amphibian and aquatic reptile, but I also learned a lot by participating in different activities of ATN like the bird census, the counting of the cliff breeders and catching the horses for medical inspection.

At the end of my internship I could say that I had made new friends, people of ATN, other Interns and people of the village. Right now I'm back to my home country, dreaming about the great time and the many campfires we had. It was hard to leave those people and Faia Brava, with all that magic and great biodiversity. But of one thing I'm sure I am going back as soon as I have the chance!"