segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Grifos anilhados na Reserva da Faia Brava

Recentemente a Reserva da Faia Brava foi visitada por dois Grifos especiais. Especiais porque, ao contrário dos Grifos residentes no vale do Côa, estes dois indivíduos estavam anilhados. Um estava marcado com anilha branca enquanto o outro possuía anilha amarela.

A anilhagem científica é um método de investigação que se baseia na marcação individual das aves. Qualquer registo de uma ave anilhada, obtido através da sua recaptura e posterior libertação ou quando a ave é encontrada morta, poderá fornecer muita informação acerca da vida dessa ave e, em particular, sobre os seus movimentos. A análise das deslocações das aves anilhadas permite definir as suas rotas migratórias e as áreas de repouso ou paragem, disponibilizando deste modo informação crucial para o planeamento de sistemas integrados de áreas protegidas para a avifauna.

O Grifo é uma espécie que na sua busca por alimento tem que percorrer enormes distâncias. Os Grifos juvenis, quando o território dos seus progenitores se pode encontrar no limite populacional, são obrigados a procurar um local novo para viver. Assim, como espécie bastante habituada às longas viagens diárias, pode deslocar-se imensos quilómetros até se estabelecer num novo território. Exemplo disto é o Grifo marcado com a anilha branca, que se descobriu depois que tinha viajado até nós desde França! Foi o primeiro controlo em Portugal de uma ave marcada naquele país.

Anilha de cor: CTD (branca); Anilha de metal: TY4436
Idade: 1
Data: marcado no ninho a 06/05/2009
Local: Gorges de la Dourbie, commune de Millau (région Midi-Pyrénées). Dernière observation dans les Causses le 24/08/2009, sur un charnier dans la propriété de Michel Terrasse ! (commune de Verrières, région Midi-Pyrénées)

Quanto ao Grifo marcado com a anilha amarela, sabe-se que foi marcado em Espanha, mas ainda não foi possível obter mais informações.

Gostaríamos de agradecer ao biólogo Carlos Pacheco pelas informações obtidas e fornecidas sobre estes indivíduos.




 Texto e fotografias: Eduardo Realinho