terça-feira, 7 de setembro de 2010

A história da Faia Brava

A criação da Associação Transumância e Natureza (ATN), em Junho de 2000, teve como principal motivação, servir de suporte para a implementação de um projecto de conservação do Abutre do Egipto (Neophron percnopterus) e da Águia de Bonelli (Aquila fasciata), na região Nordeste de Portugal.

Devido à participação de associados fundadores, ligados a 3 organizações internacionais de conservação da natureza (World Wildlife Fund - WWF, Fonds d´Intervention pour les Rapaces (FIR) e MAVA Foundation), as acções de conservação destas duas espécies e dos seus habitats basearam-se noutros projectos de conservação de aves rupícolas, que estavam em curso noutros pontos da Europa, designadamente em França, Espanha e Itália.

Inicialmente, a estratégia desenvolvida pela ATN no Nordeste de Portugal, no âmbito deste projecto, correspondeu a 3 conjuntos de acções:

I.Aquisição de terrenos importantes para aves (destinados a garantir autonomia nas acções no terreno, reduzindo perturbação de actividades humanas, abrindo oportunidades de gerar recursos para sustentar acções de conservação);

II.Alimentação artificial (repovoamento de pombais e alimentadores de abutres);

III.Sensibilização da população local para a conservação de espécies de fauna e flora com importante estatuto de conservação (reduzir conflitos entre população humana e espécies protegidas).

Os primeiros 3 anos da vida da ATN (2000-2003), foram integralmente dedicados ao projecto de conservação do Abutre-do-Egipto e Águia de Bonelli, contando com o apoio técnico e financiamento da Fundação MAVA (sendo presidente desta organização o Dr. Luc Hofman, co-fundador da WWF, ex-vice-presidente da UICN, ex-presidente da WWF International). Nesse período, a ATN adquiriu terrenos em 3 locais importantes para as 2 espécies de aves de rapina, abrangendo cerca de 67 hectares. A maioria desses terrenos localizam-se nas margens do Rio Côa (ZPE do vale do Côa), freguesia de Algodres. Este facto, aliado às boas perspectivas de ampliar as aquisições e consolidar as acções de conservação, passou a constituir a principal zona de intervenção da ATN.

A partir de 2003, e centrando-se nos terrenos da Vale do Côa, a ATN continuou a desenvolver acções de conservação de aves rupícolas, e nesse âmbito foram adquiridos mais 200 hectares (na margem direita do Côa) e mais 180 hectares (na margem esquerda, freguesia de Cidadelhe), a que se juntam cerca de 100 hectares arrendados. Durante o período entre 2003 e 2008, o financiamento das acções (a maior fatia, cerca de 200 000 euros, corresponde à aquisição de propriedades) teve o apoio de ONGs holandesas, mecenato nacional e estrangeiro e de receitas de uma campanha de venda de azeite biológico. No caso da propriedade de 180 hectares (Quinta do Ervideiro), a aquisição foi possível através de empréstimo do Banco Espírito Santo (com juros reduzidos), estando presentemente a ser desenvolvida uma campanha de angariação de apoios para cobrir o empréstimo.

Interessa assinalar que a ATN iniciou, entretanto, outras actividades, não apenas relacionadas com a conservação das aves, sendo de destacar a protecção florestal (a área abrange a mancha mais extensa de sobreiro do distrito), estando a área já classificada como Zona de Intervenção Florestal (processo liderado pela ATN e que reúne cerca de 50 proprietários florestais).

http://www.atnatureza.org/projectos/lista_accoes.php

http://www.atnatureza.org/projectos/lista_apoios.php

Actualmente, a ATN gere quase 600 hectares contínuos na ZPE do Vale do Côa (Reserva da Faia Brava), que incluem locais de nidificação e zonas de alimentação de um dos núcleos mais importantes de aves rupícolas da ZPE do Vale do Côa, e um conjunto importante de habitats protegidos e muito raros nesta região.

Em 8 anos, a ATN está satisfeita com a dimensão que este projecto atingiu. No entanto, apesar do facto da ATN ter adquirido estas propriedades, assumindo assim objectivos a longo prazo, e devido a compromissos assumidos com as entidades apoiantes, o projecto da Reserva da Faia Brava carece de um planeamento rigoroso, monitorização e avaliação de todas as suas acções.

Assim, em 2009, a ATN preparou o Plano de Gestão da Reserva da Faia Brava (PG-RFB), documento que se encontra em fase de conclusão e que foi recentemente apresentado ao Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), no âmbito do pedido de classificação da Faia Brava como Área Protegida Privada. O PG-RFB abrange o período entre 2009 e 2019 e pretende constituir um documento estruturante para a conservação da biodiversidade da área gerida pela ATN, na ZPE do Vale do Côa.

(o relatório cuja capa aprsentamos no principio deste post pode ser aberto aqui)