quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Uma visita à Faia Brava

Há quem diga que depois do Lua cheia de Agosto, o Verão entra na sua fase nostálgica, há até quem lhe chame mística. Por estas alturas na Faia Brava, dá-se de facto uma mudança de cenário, que assume maior dramatismo pelo declive profundo do vale do Côa. A imensidão granitica que antes era amarelo dourado, ofuscante no meio-dia, esbateu-se numa palete de matizes suaves como o verde tropa (dos arbutos e arvoredo), o ocre (dos líquenes), os cinzas claros (da rocha nua). As tardes encurtam-se e entram em cena as sombras, a descer lentamente pelas encostas, tornando a paisagem tridimensional e bem mais fresca. Agora é agradável percorrer veredas, seguir o voo do Grifo, olhar as ruínas e imaginar tranquilamente o que por ali passou antes da decadência.

O campo está silencioso e vazio, sente-se alguma aragem que despenteia o topo dos rebentos novos das giestas, mas logo acalma, e apenas uma ou outra andorinha desliza no ar. É muito provável que esta ave já cá não esteja amanha!

Não será a dormência do Equinócio a instalar-se, mas antes parece que todos os bichos e plantas e fungos e rochas, pararam para respirar o último bafo de Verão. E que bem que sabe essa natureza em bruto, nos olhos, nos pulmões, nas veias.


Música: Atmosfera