terça-feira, 28 de setembro de 2010

Quotidiano da vida selvagem na Faia Brava

Os necrófagos chegam cedo. Pelas 7h30 chega o Milhafre-preto e o Britango (como regionalmente se designa o Abutre do Egipto). Atento e desconfiado como sempre, o Britango, afastado, aguarda e observa o milhafre que, mais descontraidamente, vai comendo os ossos do talho que disponibilizámos para este dia. Alguns minutos depois, aproxima-se cautelosamente, puxa para si um osso e afasta-se uns metros para comer tranquilamente. 
2 grifos aparecem muito mais tarde. Vão observando do cimo da rocha, esperando. Talvez desconfiem e nos consigam perceber por trás da rede camuflada do abrigo. Tememos o seu olhar penetrante e aguçado que brilha com a luz ténue da manhã.
Mas o ar aquece. Os milhafres, agora 3, devoram o que podem, o mais rapidamente possível, antes que os grifos se decidam a disputar o alimento. Os Britangos, entretanto 2, vão comendo e levando pedaços de carne no bico, levantando voo e afastando-se, certamente em direcção do ninho, onde 2 a 3 crias esfomeadas os aguardam ansiosamente. 

Por fim, pelas 11h, um dos grifos, provavelmente o mais esfomeado, toma a iniciativa e, pulando e voando por cima das rochas, aproxima-se do monte de ossos de asas abertas, majestoso nos seus 2,60m de envergadura. 
Então, mais cautelosamente, prova um pedaço de carne. Logo depois, como se este comportamento indicasse um parecer favorável, chega um 2º grifo, seguido de um 3º e um 4º, um 5º, até que perdemos a conta quando nos embrenhamos a disparar as máquinas fotográficas em rajadas de fotos quase ininterruptas. A confusão instala-se. Os milhafres e os britangos afastam-se para a periferia da arena e aguardam enquanto os grifos se degladiam pelo alimento. O caos reina. Chegam a ser cerca de 30 a 40 grifos em simultâneo. Alguns arrastam ossos para longe da confusão para um repasto tranquilo mas logo são perturbados por outros indivíduos esfomeados e dispostos a saquear.
Os milhafres resolvem não ficar a ver e fazem voos rasantes sobre o grupo, roubando algum osso ou pedaço de carne mais “desprotegido”. Os britangos “passeiam”, contornando a confusão e vão petiscando sempre que podem.
Por vezes, os grifos entram em disputas e tornam-se mais agressivos, sibilando, abrindo as asas e o bico e esticando o pescoço comprido na direcção de um concorrente. Chegam mesmo a empoleirar-se uns nos outros, entrando num corpo-a-corpo aparatoso de asas e garras, mas simplesmente intimidatório. Nesta luta pela comida, são os mais velhos e experientes ou os mais esfomeados que estabelecem a hierarquia à refeição. Os mais jovens ou os menos esfomeados terão que esperar pela sua vez.
Ao fim de 30 minutos de intensa actividade, quando já não há o que comer, começam os grifos a abandonar o terreno e vão-se afastando nos céus. Alguns mais teimosos, ou os que esperaram pela vez, vão rapando os restos mas, pouco a pouco também se afastam. Os britangos também já não se vêem.
Finalmente, conseguimos respirar e descansar as mãos e as máquinas, agora com muitas centenas de imagens armazenadas, de um dos mais intensos comportamentos da vida animal da Reserva da Faia Brava. 

Esta descrição e as imagens representam uma típica sessão fotográfica no Abrigo Fotográfico da Reserva da Faia Brava, no seu 1º ano de funcionamento.  
Certamente, a não perder!

domingo, 26 de setembro de 2010

Agora é definitivo

Tinhamos divulgado anteriormente, em formato preliminar, a realização da Festa da Pecuária 2010. Apresentamos agora o cartaz definitivo (agradecemos à AEPGA o brilhante trabalho de design). Todos os interessados têm agora, um pouco menos de um mês para preparem a comparência na Festa. O rebanho conta com a vossa presença!

sábado, 25 de setembro de 2010

Variações na disponibilidade de água

Prestes a finalizar o ano meteorológico 2009/2010, trazemos imagens da evolução da disponibilidade de água (no Verão) numa das charcas da Faia Brava, concretamente na zona da Frieira. A não ser em anos extremamente secos como 2008/2009, este tipo de pontos de água mantêm-se durante todo o estio e beneficiam a fauna, o pastoreio e podem servir para abastecimento dos bombeiros em caso de incêndio. No âmbito do projecto BIOFAIA (Apoio Prémio Sustentabilidade - EDP) vamos inciar este Outono a abertura de mais charcas parecidas com estas, logo após a obtenção das necessárias autorizações legais. São bem-vindos todos os contributos acerca da implementação destas acções.









quarta-feira, 22 de setembro de 2010

I CERTAMEN INTERNACIONAL DE EXALTACIÓN DEL CABRITO

Não apenas por causa do projecto Self-Prevention, mas é um facto que as Cabras estão na moda!

Talvez por isso a partir de Sábado o Agrupamento Duero Douro organiza em Trabanca (Salamanca), a poucos Km da fronteira de Bemposta-Mogadouro, o primeiro certame sobre caprinos, com um programa aparentemente espectacular ("imperdivel" como dizem alguns apresentadores televisivos)

Vejam o programa em:
http://trabanca.com/index.php?option=com_content&view=article&id=496%3Aprograma-certamen-del-cabrito&catid=106%3Aferia-internacional-de-artesania&Itemid=487&lang=es

Uma pequena comitiva da ATN vai deslocar-se a este certame no Domingo dia 25 de Setembro, quem quiser boleia a partir de Figueira de Castelo Rodrigo é só dizer.

Fiquem aqui com a foto de umas poucas chibas da variedade Jarmelista (uma variedade da raça Serrana), quem sabe um dia habitantes da Faia Brava.....

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Receitas do Gosto da Biodiversidade

Decorreu no primeiro semestre de 2010 uma fase de lançamento do projecto Gosto da Biodiversidade, tendo contado com apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, a quem agradecemos.

Mais informação sobre o que já se executou em: http://www.atnatureza.org/projectos/gosto_biodiversidade/index.php

A ATN está a procurar novas vias para continuar este projecto, que consideramos estruturante para a Faia Brava, nomeadamente concorremos a fundos da UE (POCTEC). Enquanto esperamos novidades aproveitamos para melhor divulgar o material promocional já produzido no ãmbito do GDB, onde constam receitas culinárias do Chef António Alexandre (a quem agradecemos toda a colaboração). Agora que entramos no Outono, com os seus serões mais longos e apetites mais virados para os produtos da montanha, estas delicias estão mesmo a pedir para serem cozinhadas em vossas casas ou em Figueira de Castelo Rodrigo lá para 11 de Dezembro (estamos a organizar o jantar convio de socios enquadrado num pequeno congresso onde queremos assinalar os 10 anos da ATN, o lançamento oficial da reserva da Faia Brava, e o Ano Internacional da Biodiversidade, estejam atentos que em breve sairá o programa oficial).




segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Fruta da época

A recolha de sementes, preparação do viveiro, plantação de árvores vai começar em Outubro. Todos os que estejam interessados em ajudar contactem o Ricardo Nabais, responsável por esse projecto.

Algumas das plantas que estão agora com frutos :roseira brava, cornalheira, azinheira, freixo.




Os garranos são uteis - II

Continuando o post sobre a gestão dos "combustiveis" florestais com garranos, aqui vos trazemos mais imagens da situação actual, dentro e fora do cercado dos garranos.

Graças aos Ambionautas (http://ambio.blogspot.com/2010/09/gestao-de-combustiveis.html) o primeiro post sobre este assunto foi o post mais lido, de sempre, no blog da ATN!



As árvores cresceram!

Este post é dirigido ao pessoal voluntário que tem plantado ávores na Faia Brava, em especial aos amigos do Colectivo Germinal. Foi com eles que se iniciaram as campanhas de plantação no Inverno 2005/2006, com continuação desta colaboração até à atualidade, sem interrupção. Os freixos (produzidos no viveiro da ATN) plantados há mais tempo (com Colectivo Germinal) podem ver-se nas fotografias, têm 5 anos de idade e quase todos já ultrapassaram a altura a Alice Gama. Que estas imagens sirvam de alento à campanha de plantação que aí se avizinha (voluntários precisam-se).

Podem ver ainda uma imagem relativa às primeiras plantações na linha de água da Murada.

Acerca do Germinal recomendamos: Artes de Outono 2010 -em Coimbra



sábado, 18 de setembro de 2010

Valeu a pena.........

10 anos são um marco para qualquer projecto...

Passaram-se dificuldades, incompreensões, nãos, nins, talve(es), assim assins, "passa cá pró ano", diz que disses, incêndios e queimadelas, secas, decrepitudes, 40 graus à sombra, 5 graus negativos, noites em branco, ferradelas de melgas, de vespas, carraças na roupa, solavancos nos bancos, amolancadelas e carros empancados, radiadores furados, parganas nas meias, pés torcidos, arranhadelas nas silvas, migalhas no fundo da mochila, carne assada sem sal, um cantil seco no meio de uma caminhada.... (não é uma nota negativa ... é uma constatação que qualquer projecto tem o seu lado escuro, é como a Lua)

Esta imagem vale o que vale, mas vale também como sinal que estamos no caminho certo. Há que seguir em frente e subir os degraus um a um: starway to wilderness

O primeiro Corço da Faia Brava, captado (esta semana) pelo sistema de fototraping da ATN, algures....



quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Esculturas de Vitor Sá Machado em exposição na Faia Brava - é já no próximo fim de semana



18/09/2010O Vale do Côa, a braveza das suas vertentes e da fauna que abriga, será quase sempre o mote deste percurso. Atravessamos a Reserva da Faia Brava de Sul para Norte, adentrando-nos na sua beleza selvagem e sob o olhar constante e atento dos abutres e águias que planam alto no céu. Podemos ainda apreciar a manada de Garranos semi-selvagens que percorrem a região, os sobreirais que ainda subsistem e que caracterizam a paisagem do Riba-Côa.

Com início em Cidadelhe e final em Algodres, trata-se de um percurso diversificado, variando entre o asfalto (2km), caminho rural e trilho, e com paisagens imponentes.

Características do percurso: 15km de percurso linear, a pé.

Ponto de Encontro: 9h30 – Igreja de Algodres. Os participantes devem levar a sua viatura até Algodres, local onde termina o percurso. A partir daqui faremos o transfer dos participantes até à aldeia de Cidadelhe.

Duração do percurso: cerca de 6h.

O que trazer? Botas de montanha ou calçado desportivo, roupa confortável (de preferência em tons neutros), chapéu, protector solar, almoço-volante e água, máquina fotográfica, binóculos.

Preço: 5€/pax. Inclui o acompanhamento por guia local e seguro de acidentes pessoais.

Nota:

Esta actividade inclui a passagem pelas Hortas da Sabóia, onde descobriremos a conjugação de arte com a natureza na obra e trabalho de Vitor Sá Machado, escultor de peças em pedra e arame. Mais informações do autor e da sua arte em (http://www.vitorsamachado.net).

Insectos foram reis por um dia, e uma noite!

No passado Sábado a ATN promoveu mais uma saída de campo na Faia Brava no âmbito do programa "Ciência Viva no Verão". Os Insectos da Reserva da Faia Brava foram o tema de uma interessantissima sessão de divulgação sobre este notável grupo da nossa fauna, que contou com a orientação técnica do biólogo Eduardo Marabuto. À noite o Eduardo e o Fernando Romão, em vez de assistirem ao animado baile das Festas de Algodres, fizeram uma directa para inventariar perto de 7 dezenas de espécies de borboletas nocturnas, ao que parece foi uma verdadeira loucura em termos de actividades desses lepidopteros. Ficamos ansiosamente a aguardar um post do FR sobre esta actividade ..... 

Mais um passo no conhecimento da (verdadeira) biodiversidade da Faia Brava. Obrigado Eduardo e Fernando, e tomem lá esta musíca que talvez  vos dê jeito antes da próxima directa: Nocturna.




sábado, 11 de setembro de 2010

IIIª Edição da Festa da Pecuária - 23 e 24 de Outubro


















Já começaram os preparativos para a 3ª Edição da Festa da Pecuária, que desta vez será realizada em 23 e 24 de Outubro. Este ano temos previstas novas actividades, nomeadamente um percurso pedestre "transumante" a acompanhar um rebanho e o seu pastor, gaiteiros de Miranda,  mas também os habituais burros e cavalos. Este percurso inclui refeições e dormida no campo, a simular a vida do pastor transumante, e culminará numa animada festa popular.

A AEPGA (com os seus burros mirandeses) é parceira da ATN neste evento.

Tal como nas edições anteriores o Municipio de Figueira de Castelo Rodrigo é o apoiante oficial da Festa da Pecuária, a quem desde já agradecemos. Daremos o nosso melhor para retribuir, procurando divulgar e valorizar um dos principais sectores da ecónomia desta região: a criação de gado extensiva nomedamente a ovinicultura.

Esta semana que vem divulgaremos todos detalhes da Festa. Marquem na agenda e venham daí, porque não vão faltar boas paisagens, castanhas assadas, jeropiga, gaitadas e muito muito convivio.

Já agora oiçam o clássico de João Aguardela: Eu como pastor

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O Escondidinho - café "oficial" da Faia Brava

A todos os que visitem a Faia Brava, e passem pela aldeia de Algodres (concelho de Figueira de Castelo Rodrigo), sugerimos o café-cervejaria "O Escondidinho", onde para além de se poder beber um dos melhores finos da região, são servidos petiscos, acepipes, refeições ligeiras e manjares (mediante marcação prévia). O estabelecimento tem ainda para venda, em anexo, uma vasta gama de produtos de mercearia, que podem servir de abastecimento a qualquer, incauto, viajante que não venha devidamente preparado para os rigores das ladeiras do Côa.

Café e mercearia ("sóto" em dialecto local) são propriedade do Sr. Henrique Pego e esposa (ver fotos), que através do bom atendimento e hospitalidade, têm atraido e fidelizado todos os amigos que pela Faia Brava têm passado.

Para contactos e marcações aqui deixamos o número de telefone de "O Escondidinho": 271397124

Aconselhamos também (em Algodres) o Restaurante "O Relâmpago" (da Dona Silvia e marido) que serve refeições diariamente: 271397162

Mais informações  sobre sobre Algodres-FCR consultar o portal : http://www.algodres.com/

Bons passeios pela Faia Brava!
 

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Reportagem sobre a Faia Brava na SIC

Passou hoje à noite no "Jornal da noite" da SIC uma reportagem sobre a Faia Brava (gravada na Primavera), da autoria da jornalista Carla Castelo. Consideramos que foi um belo e fiel retrato do que se passa na Reserva. Segundo o blog AMBIO esta peça será apresentada na estreia da nova série Terra Alerta (próximo Sábado às 16.30 na SIC Notícias). Clique na imagem seguinte para ver a reportagem do "Jornal da Noite".

A história da Faia Brava

A criação da Associação Transumância e Natureza (ATN), em Junho de 2000, teve como principal motivação, servir de suporte para a implementação de um projecto de conservação do Abutre do Egipto (Neophron percnopterus) e da Águia de Bonelli (Aquila fasciata), na região Nordeste de Portugal.

Devido à participação de associados fundadores, ligados a 3 organizações internacionais de conservação da natureza (World Wildlife Fund - WWF, Fonds d´Intervention pour les Rapaces (FIR) e MAVA Foundation), as acções de conservação destas duas espécies e dos seus habitats basearam-se noutros projectos de conservação de aves rupícolas, que estavam em curso noutros pontos da Europa, designadamente em França, Espanha e Itália.

Inicialmente, a estratégia desenvolvida pela ATN no Nordeste de Portugal, no âmbito deste projecto, correspondeu a 3 conjuntos de acções:

I.Aquisição de terrenos importantes para aves (destinados a garantir autonomia nas acções no terreno, reduzindo perturbação de actividades humanas, abrindo oportunidades de gerar recursos para sustentar acções de conservação);

II.Alimentação artificial (repovoamento de pombais e alimentadores de abutres);

III.Sensibilização da população local para a conservação de espécies de fauna e flora com importante estatuto de conservação (reduzir conflitos entre população humana e espécies protegidas).

Os primeiros 3 anos da vida da ATN (2000-2003), foram integralmente dedicados ao projecto de conservação do Abutre-do-Egipto e Águia de Bonelli, contando com o apoio técnico e financiamento da Fundação MAVA (sendo presidente desta organização o Dr. Luc Hofman, co-fundador da WWF, ex-vice-presidente da UICN, ex-presidente da WWF International). Nesse período, a ATN adquiriu terrenos em 3 locais importantes para as 2 espécies de aves de rapina, abrangendo cerca de 67 hectares. A maioria desses terrenos localizam-se nas margens do Rio Côa (ZPE do vale do Côa), freguesia de Algodres. Este facto, aliado às boas perspectivas de ampliar as aquisições e consolidar as acções de conservação, passou a constituir a principal zona de intervenção da ATN.

A partir de 2003, e centrando-se nos terrenos da Vale do Côa, a ATN continuou a desenvolver acções de conservação de aves rupícolas, e nesse âmbito foram adquiridos mais 200 hectares (na margem direita do Côa) e mais 180 hectares (na margem esquerda, freguesia de Cidadelhe), a que se juntam cerca de 100 hectares arrendados. Durante o período entre 2003 e 2008, o financiamento das acções (a maior fatia, cerca de 200 000 euros, corresponde à aquisição de propriedades) teve o apoio de ONGs holandesas, mecenato nacional e estrangeiro e de receitas de uma campanha de venda de azeite biológico. No caso da propriedade de 180 hectares (Quinta do Ervideiro), a aquisição foi possível através de empréstimo do Banco Espírito Santo (com juros reduzidos), estando presentemente a ser desenvolvida uma campanha de angariação de apoios para cobrir o empréstimo.

Interessa assinalar que a ATN iniciou, entretanto, outras actividades, não apenas relacionadas com a conservação das aves, sendo de destacar a protecção florestal (a área abrange a mancha mais extensa de sobreiro do distrito), estando a área já classificada como Zona de Intervenção Florestal (processo liderado pela ATN e que reúne cerca de 50 proprietários florestais).

http://www.atnatureza.org/projectos/lista_accoes.php

http://www.atnatureza.org/projectos/lista_apoios.php

Actualmente, a ATN gere quase 600 hectares contínuos na ZPE do Vale do Côa (Reserva da Faia Brava), que incluem locais de nidificação e zonas de alimentação de um dos núcleos mais importantes de aves rupícolas da ZPE do Vale do Côa, e um conjunto importante de habitats protegidos e muito raros nesta região.

Em 8 anos, a ATN está satisfeita com a dimensão que este projecto atingiu. No entanto, apesar do facto da ATN ter adquirido estas propriedades, assumindo assim objectivos a longo prazo, e devido a compromissos assumidos com as entidades apoiantes, o projecto da Reserva da Faia Brava carece de um planeamento rigoroso, monitorização e avaliação de todas as suas acções.

Assim, em 2009, a ATN preparou o Plano de Gestão da Reserva da Faia Brava (PG-RFB), documento que se encontra em fase de conclusão e que foi recentemente apresentado ao Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), no âmbito do pedido de classificação da Faia Brava como Área Protegida Privada. O PG-RFB abrange o período entre 2009 e 2019 e pretende constituir um documento estruturante para a conservação da biodiversidade da área gerida pela ATN, na ZPE do Vale do Côa.

(o relatório cuja capa aprsentamos no principio deste post pode ser aberto aqui)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Grifos anilhados na Reserva da Faia Brava

Recentemente a Reserva da Faia Brava foi visitada por dois Grifos especiais. Especiais porque, ao contrário dos Grifos residentes no vale do Côa, estes dois indivíduos estavam anilhados. Um estava marcado com anilha branca enquanto o outro possuía anilha amarela.

A anilhagem científica é um método de investigação que se baseia na marcação individual das aves. Qualquer registo de uma ave anilhada, obtido através da sua recaptura e posterior libertação ou quando a ave é encontrada morta, poderá fornecer muita informação acerca da vida dessa ave e, em particular, sobre os seus movimentos. A análise das deslocações das aves anilhadas permite definir as suas rotas migratórias e as áreas de repouso ou paragem, disponibilizando deste modo informação crucial para o planeamento de sistemas integrados de áreas protegidas para a avifauna.

O Grifo é uma espécie que na sua busca por alimento tem que percorrer enormes distâncias. Os Grifos juvenis, quando o território dos seus progenitores se pode encontrar no limite populacional, são obrigados a procurar um local novo para viver. Assim, como espécie bastante habituada às longas viagens diárias, pode deslocar-se imensos quilómetros até se estabelecer num novo território. Exemplo disto é o Grifo marcado com a anilha branca, que se descobriu depois que tinha viajado até nós desde França! Foi o primeiro controlo em Portugal de uma ave marcada naquele país.

Anilha de cor: CTD (branca); Anilha de metal: TY4436
Idade: 1
Data: marcado no ninho a 06/05/2009
Local: Gorges de la Dourbie, commune de Millau (région Midi-Pyrénées). Dernière observation dans les Causses le 24/08/2009, sur un charnier dans la propriété de Michel Terrasse ! (commune de Verrières, région Midi-Pyrénées)

Quanto ao Grifo marcado com a anilha amarela, sabe-se que foi marcado em Espanha, mas ainda não foi possível obter mais informações.

Gostaríamos de agradecer ao biólogo Carlos Pacheco pelas informações obtidas e fornecidas sobre estes indivíduos.




 Texto e fotografias: Eduardo Realinho

Arvoredo jovem

Entretanto milhares e milhares de sobreiros e azinheiras jovens têm germinado e ganhado porte, dando mostras de que podem vir a ter uma presença ainda mais importante na paisagem da Faia Brava.

Uma Forest ?

A esperança está na ZIF !

Com a ventania dos passados dia 1 e 2 de Setembro, um dos velhos sobreiros da reserva da Faia Brava, não aguentou e partiu-se a meio do que restava do seu tronco, deitando a verdejante copa toda ao chão. Esta é a sina de muitos sobreiros seculares da Faia Brava que acabam por não suportar os sucessivos descortiçamentos deficientes, fogos, secas e as consequentes doenças, que lhes encurtam a consideravelmente a esperança de vida. A esperança em mudar está no melhoramento da gestão agro-silvopastroril, na formação dos descortiçadores, na redução da frequência dos fogos, no fundo a esperança está no que pode trazer a figura de  ZIF (Zona de Intervenção Florestal) do Vale do Côa. Fazemos votos que o Estado apoie mais as ZIFs, nomeadamente esta que abrange nada mais que a maior mancha de sobreiros do distrito da Guarda.

How soon is now?





sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Novo incêndio na ZIF Algodres Vale de Afonsinho

Mais uma vez a equipa de vigilância da ATN está de parabéns, deu o alerta de um incêndio que iniciou as 23:00 horas, na freguesia Vale de Afonsinho, na estrada de Cidadelhe limite sul da ZIF.

Prontamente iniciaram a primeira intervenção, os bombeiros figueirenses chegaram ao local  para fazer o rescaldo tendo ardido cerca de um hectare num lameiro  com alguns freixos de grande porte,e mato nas bordadura, as 23.30 já se encontrava extinto.


Sorte não havia vento e tinha chovido a menos de 24 horas o pasto ainda mantinha alguma humidade .

Deixo um apelo a todos os sócios e simpatizantes da ATN para virem participar nas tarefas do dia a dia da Reserva......

Melhores dias virão esperemos nós.....

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Chuva

Foram praticamente 2 meses completos sem gota de chuva dentro da Faia Brava! Sugerimos a consulta do boletim de precipitação do SNIRH, procurem pela estação meteorológica de Pinhel (a mais próxima da Faia Brava). Entrámos hoje no último mês do ano meteorológico oficial, estamos próximos de fechar este ano 2009/2010 com 630 mm de precipitação anual, exactamente a média dos últimos 30 anos em Pinhel....afinal não choveu assim tanto na Primavera, nós é que já nao estamos habituados.

Por outro lado esta chuva foi 2 em 1 em temos de apoio aos meios operacionais da ATN: rega do viveiro + pausa na vigilancia.

Imagens obtidas ontem à tarde pelo Ricardo Nabais.

As fotos fazem lembrar uma música: gotas de chuva no para-brisas



quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Uma visita à Faia Brava

Há quem diga que depois do Lua cheia de Agosto, o Verão entra na sua fase nostálgica, há até quem lhe chame mística. Por estas alturas na Faia Brava, dá-se de facto uma mudança de cenário, que assume maior dramatismo pelo declive profundo do vale do Côa. A imensidão granitica que antes era amarelo dourado, ofuscante no meio-dia, esbateu-se numa palete de matizes suaves como o verde tropa (dos arbutos e arvoredo), o ocre (dos líquenes), os cinzas claros (da rocha nua). As tardes encurtam-se e entram em cena as sombras, a descer lentamente pelas encostas, tornando a paisagem tridimensional e bem mais fresca. Agora é agradável percorrer veredas, seguir o voo do Grifo, olhar as ruínas e imaginar tranquilamente o que por ali passou antes da decadência.

O campo está silencioso e vazio, sente-se alguma aragem que despenteia o topo dos rebentos novos das giestas, mas logo acalma, e apenas uma ou outra andorinha desliza no ar. É muito provável que esta ave já cá não esteja amanha!

Não será a dormência do Equinócio a instalar-se, mas antes parece que todos os bichos e plantas e fungos e rochas, pararam para respirar o último bafo de Verão. E que bem que sabe essa natureza em bruto, nos olhos, nos pulmões, nas veias.


Música: Atmosfera