quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Natureza protegida na Faia Brava


Ontem no JN
Eduardo Pinto
A primeira área protegida privada de Portugal foi reconhecida pelo Governo no mês passado. Chama-se Faia Brava e situa-se no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo.
É um novo conceito de preservação da Natureza e da biodiversidade, criado há 10 anos com o aparecimento da Associação Transumância e Natureza (ATN), e que começa a mostra resultados. Em 2010 registou a visita de 800 pessoas.
De acordo com a bióloga Alice Gama, responsável daquela colectividade, "estava fixada para 2019 a meta de mil turistas".
A Faia Brava integra a rede nacional de áreas protegidas mas a sua gestão continua a ser feita pela proprietária, neste caso a ATN, em estreita colaboração com o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade.
Há um protocolo entre as duas entidades que inclui um extenso plano de gestão com todas as acções a desenvolver para favorecer a biodiversidade.
Contribuições de mecenas e dos sócios da ATN
Alice Gama lamenta, porém, que o protocolo não envolva qualquer apoio público ao projecto, pois está convencida que a ATN "está a fazer um trabalho que habitualmente se encontra atribuído ao Estado".
A auto-sustentabilidade da Faia Brava está longe de ser uma realidade e vai vivendo das contribuições de mecenas e dos cerca de 300 sócios da ATN.
Alice Gama salienta, no entanto, que estão a ser trabalhadas "actividades que podem resultar na angariação directa de verbas", dando como exemplo "um programa de visitas e a produção de azeite biológico".
O recente reconhecimento do Governo também pode "dar mais visibilidade" ao projecto, o que por sua vez poderá "ajudar na angariação de fundos".
A relação estreita com várias fundações internacionais tem sido o garante de que o projecto da ATN é levado a bom porto, pois desenvolvem amplas campanhas de angariação de fundos para a aquisição de terrenos, como foi o caso da Faia Brava.
O primeiro foi comprado há 10 anos, quando foi criada a associação, e hoje já tem cerca de 600 hectares. "Há potencial para crescer até aos mil hectares", perspectiva Alice Gama.
Na Faia Brava podem ser apreciados canhões escarpados dos rios Côa, Água e Douro, observadas espécies de aves protegidas como o Abutre do Egipto, a Águia de Bonelli e a Cegonha Preta, entre outras, para além de um imenso património arqueológico e uma importante zona de sobreiros que ocupa mais de dois mil hectares.
Qualquer pessoa pode visitar a Faia Brava, livremente ou na companhia de guias. A área protegida também dispõe de um abrigo onde qualquer fotógrafo pode retratar abutres a alimentar-se a cerca de 20 metros de distância.