segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Faia Brava - um lugar para a biodiversidade

Em 2008, a ATN preparou o Plano de Gestão da Faia Brava (PGFB), que define estratégias de gestão para o futuro desenvolvimento deste espaço natural entre 2009 e 2019, tendo como objectivo principal a conservação da biodiversidade da ZPE do Vale do Côa.

Para implementação do PGFB, foi criado o projecto Reserva da Faia Brava – um lugar para a biodiversidade (BIOFAIA), financiado pelo Fundo EDP para a Biodiversidade (2009). Trata-se de um plano de acção de 2 anos, que tem como objectivo geral potenciar e conservar a biodiversidade da Reserva da Faia Brava, a primeira área protegida privada do país. Os objectivos específicos deste projecto são: (a) aplicar métodos de gestão de habitats para conservar activamente a biodiversidade prioritária da RFB; (b) fortalecer a sustentabilidade económica do projecto.


O sub-projecto A (Estudo e gestão activa de habitats e espécies prioritários na Reserva da Faia Brava) centra-se sobretudo no restauro ecológico da área, através da recuperação de habitats e espécies prioritárias e do mosaico agro-florestal típico da região, e na execução anual de uma série de metodologias de seguimento de fauna, flora e habitats alvo de acções de gestão activa.


O sub-projecto B (Estratégia de visitação da Reserva da Faia Brava) consiste na preparação de um documento estratégico sobre visitação da RFB, baseado no estudo, preparação e divulgação de um programa de actividades a realizar pelos visitantes da Reserva da Faia Brava. Estas acções permitem cativar apoios para o projecto através da venda de serviços e angariação de sócios, e assim libertar recursos para a conservação, apoiando a sua auto-sustentabilidade económica da Reserva da Faia Brava.

Este projecto entrou em execução no mês de Janeiro de 2010 e tem uma duração prevista de 2 anos, contando com a parceria da Universidade de Aveiro – Departamento de Biologia.

Através do trabalho desenvolvido no projecto BIOFAIA, a reserva Faia Brava foi classificada em Dezembro de 2010 como a primeira área protegida privada (APP) do país. Para a gestão exclusiva da zona classificada como área protegida privada (214 ha) e com base no Plano de Gestão da Reserva da Faia Brava, foi elaborado um documento estratégico – Plano de Gestão da APP Faia Brava – aprovado pelo Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB) e anexado ao protocolo de gestão assinado pela ATN e pelo ICNB. Este documento pretende definir, para 10 anos, as acções de restauro ecológico e gestão de habitats e espécies, o seu estudo e monitorização, assim como um conjunto de actividades que permitam alcançar a longo prazo a sustentabilidade financeira do projecto. As próximas etapas deste processo serão a entrega do primeiro relatório anual de actividades na APP (Dezembro de 2011) e, em 2012, o alargamento da APP.



No âmbito do projecto BIOFAIA estão já executadas na totalidade as acções de recuperação e construção de infra-estruturas, quer aquelas que permitem a conservação da área florestal da reserva (sobreiral) – a construção e gestão de um novo viveiro florestal e a construção de uma vedação de 100 ha para a permanência de uma manada de cavalos garranos, quer na área do desenvolvimento da estratégia de visitação da APP (Centro de Recepção de visitantes), que inclui um abrigo fotográfico e a valorização do espaço de recepção ao visitante das Hortas da Sabóia.

As áreas da Faia Brava sujeitas a acções de restauro ecológico, permitiram até ao momento: a recuperação de cerca de 3 km de galerias ripícolas, através da plantação anual de mais de 10 000 árvores; a recuperação de cerca de 20 ha de parcelas cerealíferas, que apoiam a conservação de populações e recuperação de Perdiz-vermelha e Coelho-bravo.
Relativamente aos estudos e inventários realizados até ao momento, foram integrados no projecto cerca de 10 investigadores, foram completados 4 inventários (invertebrados, flora e répteis e anfíbios, e mamíferos), num total de cerca de 600 espécies identificadas até ao momento. A situação do único casal de Águia de Bonelli da ZPE do Vale do Côa também foi estudada com detalhe, visto que em 2010 não foi conhecida a localização de ninho e o sucesso reprodutor. O casal criou com sucesso em 2011, uma cria voadora num novo local, situado mais a norte, no limite da Faia Brava.
Anualmente são já recebidos cerca de 800 visitantes na Faia Brava, estando este número muito próximo do limite fixado para 2019. As colaborações com empresas de animação turística, municípios e escolas têm aumentado, sendo esperado ultrapassar os 1000 visitantes em 2011.