domingo, 11 de setembro de 2011

Dá gosto ver árvores mais altas do que nós!

Dá gosto ver as crianças crescer, sejam pessoas ou sejam plantas!

Especialmente quando há meia dúzia de anos, estas plantas eram apenas pequenas e incógnitas sementes de Fraxinus, ripadas às "mãozadas" dos ramos das suas mães (ou pais).

Dentro de sacas e baldes, foram para o viveiro (maternidade de árvores como lhes chamam os britanicos), para serem espalhados em grandes alfobres de boa terra escura e húmida. Na Primavera seguinte germinaram,e quando tinham apenas duas folhinhas ligadas, foram separadas umas das outras e metidas em cuvetes individuais. Esperaram mais de meia-dúzia de meses, sobrevivendo ao estio seco, poeiroso mas coalhado da Sabóia, sob a protecção da malha-sol e sorvendo as regas que foi possível fazer. Até que numa fresca, e fria, manha de Outono as mãos de algum voluntário (provavelmente pertencente ao Colectivo Geminal) as tratou de sacar da cuvete e carinhosamente lhes depositou o raizame nalgum recanto ignoto e remoto da Faia Brava.

A partir daí foi a verdadeira aventura das plantulas, entregues à sua sorte, esperando arduamente umas gotas de chuva em Agosto, evitando a pisadela do garrano e a fuçadela do javali, engrossando, engrossando lentamente, deitando corpo, caule, ramos, raizes e fazendo crescer a pequena sombra da folhagem no seu pedaço de terra.

Um dia destes se tudo assim se mantiver, e se por exemplo os incêndios de Verão continuarem a evitar estes rochedos do Côa, a planta até vai criar uma casca rude e rija como os cornos da ovelha terrincha, que não lhe deixará entrar na seiva, nem besouro nem fungo nem fogo frio, mas que servirá para que algum gato lhe trepe acima e do alto da ramada contemple o seu feudo. Mas ainda melhor vai ser quando esta planta passar a dar sementes, profusos cachos verdes e amarelos de milhares de sâmaras, que vão abanar ao vento como que acenando a alguém que ali passe para lhos ripar ou simplesmente atirar ao vento Suão, e assim perpetuar o ciclo.

Assim queremos acreditar os que estamos apaixonados por esta Faia Brava, ... ou antes por esta Terra.

Que cresçam as árvorezinhas!