segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Estudar, planificar, executar e monitorizar na Faia Brava

A recolha de informação geográfica sobre a localização de uma determinada espécie ajuda a ter uma noção da sua distribuição e dos habitats que utilizam na Faia Brava. A base-de-dados de biodiversidade da Faia Brava está em constante actualização e, claro, tem espécies com estatuto de conservação muito elevado, quer a nível nacional, como a nível europeu. São essas as espécies que têm prioridade quando definimos o que fazer com cada espaço da Faia Brava.






Para a conservação de espécies e habitats prioritários é feita uma planificação de uma série de acções práticas, a maior parte delas utilizadas em qualquer lugar do mundo e em projectos de conservação de uma determinada espécie. Nesse sentido foi criado o Plano de Gestão da Faia Brava, que:

1) lista as espécies e habitats prioritários;
2) define objectivos concretos para a sua conservação;
3) lista e calendariza as acções a executar pela equipa técnica;
4) define metas para cada acção (medidas de esforço e de resultado).

Por exemplo, para manter a espécie prioritária Abutre do Egipto (ou Britango), com 4 casais a nidificar na Faia Brava, a ATN definiu como objectivo conservar este casais e aumentar o seu sucesso reprodutor em 20%. Para cumprir esta meta, a ATN construiu um campo de alimentação de aves necrófagas, onde deposita pequenas quantidades de alimento (restos de talho e ossos) durante a época de nidificação do Britango (Março a Agosto). Outra acção importante para cumprir este objectivo é simplesmente a limitação de ruído e passagem de pessoas junto aos territórios de nidificação desta espécie durante a Primavera. Ao longo dos anos, podemos depois medir, através de acções de monitorização, que acompanham a época de reprodução desta espécie, o sucesso reprodutor, que dependerá das acções da ATN e de muitos outros factores que não controlamos (clima, migração, perseguição fora da Faia Brava, competição inter e intra-específica).

E então chegamos de novo à questão que foi colocada no post anterior. Depois de definirmos o que existe, definirmos o que é importante conservar, e depois de implementarmos no terreno a estratégia de conservação de uma espécie ou habitat, como sabemos que estamos a fazer um bom trabalho?

Para saber mais, não perca o próximo post sobre o Estudo e Monitorização de Biocenoses da Faia Brava.