sábado, 21 de abril de 2012

Reflexões de uma voluntária da Faia Brava

Texto de Inês Costa

A Associação Transumância e Natureza (ATN) é uma organização não-governamental do ambiente, uma ONGA. Apesar do pouco tempo aqui em Figueira de Castelo Rodrigo, julgo que esta ONGA parece ser uma versão melhorada das ONGA`s em Portugal, que genuinamente quer fazer parte da comunidade onde se insere. Com isto quero dizer que tenta conhecer os seus interlocutores e trabalhar a mensagem que quer passar, ao mesmo tempo que credibiliza ao dar uma imagem profissional, contrariando a classificação algo emotiva e ao mesmo tempo redutora, de “grupo ambientalista”.

O objectivo aqui na Faia Brava é a conservação, não de apenas de uma espécie, mas de um ecossistema, que permite a existência de espécies como o grifo, o britango, a águia de bonelli e a águia real, mas também a manutenção de serviços ambientais, como a regularização do regime hídrico, a depuração do ar e fixação de CO2, assim como, a manutenção de um elevado nível de biodiversidade, que no futuro se adivinha vir a ser útil ao país aquando da revisão de uma nova Política Agrícola Comum. A fazer-se prevalecer os princípios correctos, esta vai ter em conta a biodiversidade, algo que vai fazer os países do sul da Europa serem reconhecidos pelo seu valor natural e claramente beneficiados.
Atrevo-me a dizer que talvez seja uma benesse para nós (portugueses) não ter a escala suficiente para uma agricultura intensiva. Sem o uso de pesticidas e fertilizantes permite-se a manutenção de um património natural que lá fora estão dispostos a pagar para ver. Existe um mercado de turismo de natureza, devemos considera-lo.

Aqui parece ter-se aprendido com a experiência, podemos romantizar um novo retorno ao mundo rural, ou podemos ver na mudança da estrutura da nossa sociedade e consequentemente no uso do território, a criação de novos nichos de negócio e oportunidades únicas para restabelecer uma relação mais sadia com o ambiente.

Num momento em que o espírito do país parece ser o da liberalização, é bom ver uma iniciativa privada com um sentido de bem comum.

Inês Costa