sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Arribas? Fim-de-semana europeu de observação de aves na Faia Brava | EuroBirdwatch at Faia Brava




No dia 4 de Outubro a Associação Transumância e Natureza organiza um evento de observação de aves em celebração da 21º edição do EuroBirdwatch, o maior evento europeu dedicado a esta actividade. A participação no Arribas? é gratuita, aberta a todo o público e limitado às vagas existentes.

Com partida às 8h30 de Figueira de Castelo Rodrigo (Largo Serpa Pinto), os participantes vão descobrir as aves aquáticas na Barragem de Santa Maria de Aguiar (Parque Natural do Douro Internacional) durante a manhã e, após almoço (cada participante deve trazer o seu), vão observar as aves da arribas, na Reserva da Faia Brava.

A actividade tem como objectivo promover o conhecimento das aves da região, autóctones e migratórias, e sensibilizar para a importância da preservação dos seus habitats.


O evento internacional Eurobirdwatch é organizado pela BirdLife International e durante o fim-de-semana são dinamizadas actividades por toda a Europa. Em Portugal é dinamizado pela SPEA (Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves) e localmente a actividade é dinamizada pela Associação Transumância e Natureza, entidade proprietária e gestora da Reserva da Faia Brava.


PROGRAMA DETALHADO
8.30 Ponto de encontro Largo Serpa Pinto, Figueira de Castelo Rodrigo
8.45 Partida para a Barragem de Santa Maria de Aguiar, observação de aves aquáticas
12:00 Almoço piquenique na Barragem de Santa Maria de Aguiar
13:00 Partida para a Reserva da Faia Brava
17:00 Chegada a Figueira de Castelo Rodrigo

INFORMAÇÕES
Os participantes devem trazer almoço volante, água, binóculos e guia de aves (se possível), protecção para o sol, sapatos de caminhada.
A inscrição é limitada ás vagas existentes.  

E CONSULTE NA PÁGINA DA SPEA TODAS AS ACTIVIDADES A DECORRER NO PAÍS .
___________________________________



At the 4th of October, Associação Transumância e Natureza (ATN) organizes ARRIBAS? (CLIFFS?) a birdwatching activity, to celebrate the 21st edition of EuroBirdwatch, the biggest european birdwatching event. Participation is free and open to everybody, but with limited subscriptions.

Meeting point is at Figueira de Castelo Rodrigo (Square Serpa Pinto, 8.30am). During the morning participants will discover aquatic species at Barragem Santa Maria de Aguiar (Douro Internacional Park) and after lunch (each participant should bring his own) the program is at the Faia Brava Reserve to watch cliff breeding birds.

The main purpose  of this activity is to promote knowledge about endemic and migratory birds from this region and to raise awareness on the importance of conserving their habitats.

The international event Eurobirdwatch is organized by BirdLife International and there will be activities going  on all around europe. In Portugal, is organized by SPEA and locally by Associação Transumância e Natureza, ngo that owns and manages the Faia Brava Reserve.

DETAILED PROGRAM
8.30 Meeting Point: Largo Serpa Pinto, Figueira de Castelo Rodrigo
8.45 Barragem de Santa Maria de Aguiar, watching aquatic birds
12:00 Pic-nic at Barragem de Santa Maria de Aguiar
13:00 Travel to the Faia Brava Reserve
17:00 Arrival to Figueira de Castelo Rodrigo

INFORMATIONS
Participants should bring their own lunch, water, binoculars, bird guide (if possible), sunscreen, walking shoes.
Limited subscriptions.

AND TAKE A LOOK ON THE ACTIVITIES GOING ON IN PORTUGAL


terça-feira, 26 de agosto de 2014

As portas do Reino Maravilhoso / The doors of the Worndeful kingdom - Ribeira do Mosteiro




Se Miguel Torga descreveu Trás-os-Montes como "O Reino Maravilhoso" então nós temos toda a legitimidade em dizer que a Ribeira do Mosteiro e a Calçada de Alpajares são não menos que as portas douradas que dão acesso a esse Reino.

Chegados a Barca d'Alva, aldeia onde as águas do Águeda e Douro se tocam, passamos a ponte e seguimos em dircção a Freixo de Espada à Cinta. Já em plena terra quente transmonstana, viramos para onde nos levam as placas, e seguimos o caminho até à Ribeira do Mosteiro.

Ali parece que a humanidade se esqueceu de existir, junto à ribeira vêm-se ainda muros de pedra e olivais com mais de 4 centenas de anos, vestígios de como se vivia noutras épocas.Vêm-se laranjais e figueiras ao abandono, e silvas a perder de vista. E um moinho, outrora usado para moer o cereal, que apesar de ter sido recuperado há menos de uma década, apresenta já um triste estado abandonado.

Nos céus voam grifos relaxadamente, e não fosse o final da época reprodutiva, haviam de ser dezenas de diferentes aves a passear-se entre as fragas, aqui, no coração do Parque Natural do Douro Internacional. E não pense que o melhor das fragas é o seu topo, onde os ninhos se encontram, toda a fragas revelam a história geológica deste local, pelas inúmeras falhas e dobras que se avistam.

É fácil conhecer este local, com tanta história arqueológica e natural para descobrir: existe um caminho circular bem marcado, que pode ser feito em qualquer altura do ano.
-------------------------------------------
If Miguel Torga (famous portuguese writer) described Trás-os-Montens (the northeast region of Portugal) as "The wonderful Kingdom" we have all legitimacy in saying that Ribeira do Mosteiro and Calçada de Alpajares are not less than the entrance doors of this Kigdom.

Arrived at Barca d'Alva, small village where the Agueda river meets Douro, we passed the bridge and follow the direction to Freixo de Espada à Cinta. Already at the "Terra Quente Transmontana", we follow the plaques towards Ribeira do Mosteiro.

There it seems that humanity forgot to exist, near the river there are still walls of stone and olive yards with over 400 years, traces of how human lived in the area. There are also see the abandoned orange and fig trees, and endless brambles, and a watermill, where people used to mill their grain, and besides it has been recovered in less than a decade ago, it already shows sad traces of abandonment.

In the sky, griffon vultures fly peacefully, and if it was not the end of the breeding season, there would be dozens of species flying between the cliffs, here, in the heart of the Douro International Park. And do not think that the best of the cliffs is at their top, where the nest lay, it is the entire rock which reveals the geological story of this place, by the countless folds and faults that can be seen.

It is easy to know this place, with such an amazing natural and archaeological heritage to be discovered: there is a round trail marked, that can be done in any time of the year.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Estudantes visitam a Reserva - Parceria ASA - ATN (PT+EN)


A Associação Transumância e Natureza e a Editora ASA prepararam um programa na Reserva da Faia Brava, para o lançamento do novo manual de 8º ano Ciência & Vida 8, que entra em vigor no próximo ano lectivo.

Todas as escolas que adoptaram este manual vão ter a oportunidade de trazer uma turma do 8º ano em descoberta da Reserva da Faia Brava, numa visita guiada de 6h.

Das aves de rapina que nidificam nas escarpas do Côa, aos herbívoros que habitam a Reserva em estado semi-silvrestre, aos musgos, líquenes e flora autóctone, há uma biodiversidade vasta para descobrir na Reserva da Faia Brava.

Os alunos vão poder assim observar no terreno, analisar e aprender muitos dos conteúdos programáticos que se inserem na estrutura curricular do 8º ano, destacando-se a ecologia, sucessões ecológicas, cadeias e teias alimentares, fluxos de energia, factores bióticos e abióticos e paisagens geológicas.

A visita à Reserva da Faia Brava insere-se no âmbito do programa escolar Bravos na Faia, que pode ver com mais detalhe aqui.

As visitas vão decorrer durante este ano lectivo, anunciaremos a vinda da primeira turma.
-------------------------------------------------


Associação Transumância e Natureza and ASA Editions, prepared a program at the Faia Brava Reserve for the launch of the new school book for 8th grade called Science & Life 8 , that will be available for the coming school years.

All schools that choose this book will have the chance to have a 6h guided visit to the Faia Brava Reserve, for one class from the 8th grade.

From the cliff-breeding birds, to the semi-wild herbivores, to mildew, moss and endemic flora, there is a hide biodiversity to discover at the Faia Brava Reserve.

Students will learn by analysing and observing in the field much of the course contents from the 8th grade, such as ecology, successions, food chains, biotic and abiotic factores and geological landscapes.

Visits will start during the next school year and we will post the 1st class's visit.


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Campo de Trabalho na Faia Brava | Workcamp at Faia Brava

Todos os anos a Palombar - Associação de Conservação da Natureza e Património Rural, organiza campos de trabalho ao longo do ano. Este ano juntámo-nos à Palombar e organizamos em conjunto um campo de trabalho de trabalho para a melhoria da entrada principal da Reserva da Faia Brava.

Every year Palombar - ngo for the conservation of the natural and rural  heritage - organizes work camps during the year. This time ATN joined Palombar and organized a work camp to improve the main entrance of the Faia Brava Reserve.

De 1 a 14 de Setembro os participantes vão ter oportunidade de aprender as diferentes fases de construção de um muro de granito, enquanto contribuem para um projecto único de conservação da natureza.

From the 1st t the 14th of September, participants will have the chance to learn the different phases of construction of a stone wall with granite, while contributing for an unique project of nature conservation in Portugal.

Idade mínima | Minimum age: 18 anos.
Línguas | Languages: Português, Francês, Espanhol, Inglês

Máximo 17 voluntários.

Local | Place: Algodres, concelho
de (municipality of ) Figueira de Castelo Rodrigo, distrito a Guarda, Portugal;
Alojamento: Espaço cedido pela Junta de Freguesia de Algodres



O campo de trabalho inclui todas as refeições, alojamento e actividades de lazer na região. Pede-se uma contribuição de 80€ para não sócios e 60€ para sócios da ATN ou da Palombar.

The work camp includes all meals, sleepovers and leisure activities in the region. We ask for a contribution of 80€ for non-members and 60€ for members of ATN or Palombar. 

Não esquecer de trazer: Saco-cama ou lençóis, colchonete, toalhas. Roupa de trabalho fresca e confortável, botas de caminhada, luvas de trabalho, óculos de protecção para o pó, creme de protecção solar, roupa para o calor, um casaco para as noites frias, fato de banho, toalha.

Informação complementar
- Algodres é uma pequena aldeia situada numa área rural do Nordeste de Portugal, geralmente designada por Beira Alta. O Verão é marcado por um clima seco e por uma grande amplitude térmica, sendo as temperaturas muito elevadas durante o dia (35ºC) e relativamente baixas durante a noite (10-15ºC). - Os voluntários serão divididos em equipas de trabalho e cada uma será acompanhada por um monitor da Palombar/encarregado de obra, cuja função será ensinar as técnicas de construção aos voluntários, orientá-los e ajudá-los nas tarefas mais delicadas. Todo o grupo seguirá o responsável da logística da Palombar durante o decorrer de todas as actividades

Programa diário | Daily program
7:00 – 13:00: Trabalhos de construção de muros de pedra | Construction of stone walls  
13:00 – 15:00: Almoço | lunch
15:00 – 19:30: Actividades de lazer | leisure activities
19:30 – 21:30: Jantar | dinner

Trabalhos de construção de muros de pedra | Construction of Stone walls

- Selecção e recolha de pedras de granito; | Selection and collection of granite rocks
- Trabalho (talha) das pedras; | cutting granite rocks
- Construção das fundações dos muros; | creating the foundations of the wall
- Construção das portas de entrada da Reserva da Faia Brava. | building the entrance doors of the Reserve

Actividades de lazer | Leisure activities
 
- Visita ao Parque Arqueológico do Vale do Côa e às Pinturas Rupestres (classificados pela UNESCO); | visit to the Archaeological Park
- Visita a Castelo Rodrigo | Visit the historical village
- Caminhada pela Grande Rota do vale do Côa | walk trhough the Grande Route
- Jantar e confecção de pão com famílias locais | making bread and having dinner with the locals
- Jantar e saída à noite em Figueira de Castelo Rodrigo | dinner and going out in Figueira de Castelo Rodrigo
- Visita à Barragem de Santa Maria de Aguiar | visit the dam 
  - Ida à piscina municipal | Visit to the pool

Informação sobre o encontro
Local: Vila Nova de Foz Côa ou Figueira de Castelo Rodrigo;
Indicações: Os voluntários que não tenham carro devem reunir-se em Vila Nova de Foz Côa (vindo de autocarro ou comboio do Porto ou Lisboa) ou em Figueira de Castelo Rodrigo (vindo de autocarro ou comboio até à Guarda, e depois de autocarro até Figueira) no dia 1 de Setembro, em horas a combinar, para que a organização vá buscá-los. Em caso excepcional, a Guarda poderá ser um destino de chegada.

FAZ AQUI A TUA INSCRIÇÃO. SUBSCRIBE HERE.


Para mais informações sobre o campo de trabalho, contactar a Palombar:
For more information about the workcamp please contact Palmobar: 

-mail: palombar@gmail.com
Nuno Martins: 00351 964695511
Teresa Nóvoa: 00351 964695417
NOTA: A Palombar e a ATN reservam-se o direito de alterar o programa. 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Uma aventura na Reserva_by Voluntários Fábio e Rúben



Vigilância contra fogos na Faia Brava, uma experiência escrita na 1ª pessoa
 
Dia 1 – O Início
Acordámos extremamente motivados com o começar do dia da nossa pequena aventura. Por volta das 14h, pegámos nas mochilas e tenda e partimos em direcção ao destino, a Reserva da Faia Brava. Uma zona selvagem a cerca de 4 km da aldeia mais próxima (Algodres), uma zona completamente isolada.  





Depois de feitas as apresentações e de irmos buscar algum material para a nossa estadia, a B. (técnica de comunicação da ATN), explicou-nos o projecto e minutos depois estávamos a caminho da Reserva com o R. Chegados ao nosso “spot”, o R. (técnico florestal da ATN) deu-nos um mapa e desejou-nos “boa sorte”.

Montámos a tenda, enquanto ainda era dia (importante referir que não existe eletricidade, água canalizada ou rede telefónica). Posto isto, tomámos um duche com água à temperatura ambiente num chuveiro improvisado – vulgo, um bidon (ou bidão?). Fomos jantar, comida da Mamã que trouxemos, aproveitando a ainda pouca luz do Sol que existia.

Eram 21:30h quando os últimos raios de Sol desapareceram. A partir dessa hora até à hora em que estamos agora a escrever, é noite cerrada (temos uma lanterna para conseguirmos escrever). Não vemos nada, nem ninguém. Só ouvimos os sons emitidos pelos animais nossos vizinhos, sendo estes um tanto ou quanto estranhos. Chegámos agora à conclusão que o nosso silêncio aqui é perturbador. Enfim, vamos dormir.

Dia 2 – A Exploração
Depois de algumas (poucas) horas de sono, eram 8h da manhã quando acordámos. Estava um calor imenso logo pela manhã. Depois de toda a higiene pessoal (possível), fomos tomar o nosso pequeno-almoço na cozinha improvisada, mas, para nosso espanto, deparámo-nos com um outro fiel companheiro, um rato (a que chamámos Zé Afonso) que nos acompanhou na refeição. De seguida, partimos para fazermos algum reconhecimento da zona. Caminhámos por entre trilhos de média dificuldade (média pois a vegetação era um pouco densa e o caminho bastante pedregoso).

Ao regressarmos à base, avistámos três raposas, uma das quais olhou-nos fixamente e deu-nos a entender a sua vontade em nos liquidar, contudo, elas seguiram o seu caminho e nós o nosso. Após o almoço, pusemos mãos à obra. Deslocamo-nos para o nosso ponto de vigia, onde tínhamos como objectivo vigiar toda uma vasta área, e em caso de incêndio (ou qualquer outro problema) alertar as autoridades competentes. 

Avistámos (com os nossos olhares de Falcão) uma extensa coluna de fumo, e, como era nossa obrigação, avisámos as autoridades. O incêndio foi extinto o mais rápido possível. Após o término do nosso trabalho árduo regressámos à nossa humilde casa (tenda) com a sensação de dever cumprido. Realizámos todas as necessidades fisiológicas e lanchámos enquanto aguardávamos por uma equipa de campo que nos viria buscar mais tarde. 

Por volta das 18:30h, em conjunto com a equipa de campo, percorremos a reserva a fim de observarmos a fauna existente, ajudando assim o E. (técnico de monitorização da ATN). Avistámos assim, alguns coelhos, vacas, perdizes, um javali e duas cobras, uma das quais venenosa, o que se tornou no momento mais tenso do dia (importante referir que os trilhos eram de elevado grau de dificuldade).

Quando chegámos à base era praticamente noite. Tomámos assim um duche rápido e enquanto jantámos era já noite cerrada. Após isto, decidimos ir para a tenda. Foi um dia estafante pois percorremos cerda de 16 km a pé. Vamos agora dormir, até amanhã.
PS: Passados cerca de 30 minutos depois do fecho de edição do nosso diário, ouvimos um barulho estranho proveniente do exterior da tenda. De arma (naifa) em punho e lanterna na mão decidimos enfrentar o que quer que fosse. Afinal era apenas uma das espigas que se tinha soltado e aquilo era o som do impermeável a bater na tenda. Enfim
 
Dia 3 – Contacto com a Civilização
Devido ao desgaste do dia anterior, acordámos por volta das 9h. Fizemos a nossa rotina habitual. Tomámos o pequeno e reparámos que o tempo estava diferente. O calor insuportável dos dias anteriores continuava, porém o ar tornara-se bastante pesado devido à nebulosidade. Neste dia decidimos fazer uma abordagem diferente, para começar caminhámos até à aldeia mais próxima (que fica a 4km), para fazermos uma refeição mais nutritiva, pois os alimentos que possuímos na caserna não são suficientemente energéticos.
Chegados à aldeia, almoçámos e trocámos dois dedos de conversa com o senhor J. (proprietário do restaurante onde comemos). Voltámos então ao trabalho. Desta vez decidimos ir para um posto de vigia diferente. Após 5h de vigia intensa, regressámos à base, completamente exaustos. Mas ainda tínhamos pela frente a tarefa de regar o viveiro florestal. Depois disto, reparamos que o céu, mais propriamente na zona Sudoeste estava com nuvens um pouco negras. Não augurámos nada de bom. 

Chegou então a hora do nosso tempo de reflexão. Cada um de nós foi para o seu sítio e reflectimos durante cerca de 1h30m. De seguida decidimos ir tomar um duche, todavia a água estava completamente gelada pois o Sol não foi suficiente para a aquecer.. Grrr, que frio! 

A certo momento do dia deparámo-nos com uma visita inesperada. A B. veio visitar-nos e trouxe um amigo muito curioso, trouxe-nos também umas cervejas para bebermos. Depois de uma troca de palavras decidimos ir dar um passeio para abrir o apetite para o jantar, visitámos assim um pouco da encosta do Vale, e como ficava em caminho, fomos ao local de alimentação dos abutres. 
Avistámos por aí alguns abutres (grifos e abutre do egipto), um deles com cerca de 3m de envergadura e com mais de 5 kg de peso. Poderoso! Ficámos bastante impressionados com a envergadura do bicho. 

Chegámos à base e estivemos no “bate-papo” com os nossos visitantes. Com isto ficámos a saber que o R. (amigo que veio com a B.) estava a realizar a Grande Rota do Vale do Côa (200KM), sozinho, a pé, apenas com o saco-cama e alguns trapos às costas. Um autêntico vagabundo da floresta. Impressionante. 

Quando eles nos deixaram na nossa solidão, já era noite. Enquanto jantávamos com apenas uma lanterna (pois a outra tinha-se estragado na noite anterior), avistámos fortes relâmpagos e trovoada. Depois de uma breve conversa entre nós, decidimos irmo-nos deitar. Agora, enquanto escrevemos estas palavras a trovoada lá fora faz-se sentir (ainda bem que não chove). Vamos (tentar) dormir. Até mais.

Dia 4 – O Regresso Prematuro
Acordámos por volta das 8h da manhã com uma forte tempestade, chuva e vento fortes. A tenda, aparentemente intacta, estava a começar a ficar encharcada e começou a entrar água. Levantámo-nos rapidamente e, claro está, desmontámos o mais rápido que as condições meteorológicas permitiram a tenda antes que fosse levada por a tempestade. 

A nossa aventura teria que terminar por ali, pois não existiam condições para continuarmos. Assim acabou a nossa aventura na Reserva da Faia Brava.

Foi uma enorme experiência que nos ajudou a crescer bastante enquanto pessoas e a dar valor a certas coisas do dia-a-dia como um duche quente, uma cama para dormir ou então uma refeição quente, mas o que mais nos surpreendeu foi o enorme conhecimento biológico e as histórias engraçadas que os nossos orientadores (B., E., R., etc) têm

Divertimo-nos bastante, apesar dos momentos menos agradáveis por que passámos. Aconselhamos toda a gente a fazer o mesmo, e quem sabe, talvez um dia possamos repetir com mais amigos.

Esperamos agora uma nova aventura!
Fábio Santos e Ruben Simão
Este diário é baseado em factos verídicos (contém algumas hipérboles), e foi cedido pelos autores à Associação Transumância e Natureza