terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Reflorestar a Reserva da Faia Brava | Reforesting the Faia Brava Reserve


Em 2005 a ATN iniciou o programa 1 Milhão de Sementes para o Vale do Côa, após um grande fogo ter dizimado quase 50% das azinheiras e sobreiros centenários existentes na região. Desde então, a ATN tem trabalhado activamente na reflorestação do Vale do Côa. Trata-se de um grande desafio nestas terras de solos pobres e clima extremamente seco. Muitos animais não resistem às folhas tenras e verdes das árvores jovens, ou às calóricas bolotas de carvalhos, especialmente na época de seca. Com o apoio de voluntários, a ATN já plantou mais de 30 000 árvores e 502 000 bolotas.

Não existe muita experiência em criar florestas de espécies autóctones em áreas com estas características, motivo pelo qual a ATN tem vindo a experimentar diferentes estratégias e a monitorizar os resultados, durante a última década. A ATN está focada em 4 aspetos principais:

- Prevenção de incêndios
No verão existe um elevado risco de fogo, é por essa questão que a ATN faz anualmente vigilância contra fogos durante os meses mais críticos – de Junho a Setembro. Além disso, a equipa de campo tem feito um grande esforço para criar zonas de descontinuidade. Em locais com árvores jovens, a equipa da ATN desmata faixas de giesta (Cytisus multiflorus), especialmente as que rodeiam as árvores. A giesta é altamente inflamável e, ao eliminá-la, o risco de fogo é menorizado.


- Semear em grande escala
Neste último outono recolhemos, com o apoio de voluntários, muitas bolotas de carvalho português (Quercus faginea) que foram semeadas em diferentes locais da Reserva, especialmente no cercado pequeno, na Bogalha e no Alto da Resenha. Por curiosidade, o Alto da Resenha deve ter uma grande família de ratos e javalis esfomeados, especialistas em encontrar bolotas. Mesmo misturando bolotas com bosta de cavalo e vacas, não é possível escapar ao apurado faro destes animais. Neste local vamos tentar, no próximo ano, plantar árvores em vez de semear bolotas. (os outros locais não têm tantos sinais de animais famintos por bolotas, até ao momento)

Além das bolotas, temos feito um grande esforço em recolher sementes de zimbro (Juniperus oxicedrus). Esta espécie está bem adaptada às condições climatérias da região, mas são bastante difíceis de germinar. Recolhemos várias sementes, frescas e mais antigas, e espalhamos pela Reserva. Deixámos a seleção das sementes mais fortes e melhor adaptadas para a natureza. Uma pequena parte das sementes vai crescer no vivero florestal e será platada na próxima temporada.


- Plantar árvores no cercado pequeno
As manadas de garranos e vacas têm um importante papel na manutenção da paisagem. Mas, por vezes, gostam de se alimentar das frescas e jovens árvores, razão pela qual num dos dias de campo, em que toda a equipa da ATN deixou o escritório, fomos plantar árvores no interior do cercado pequeno, onde atualmente as manadas de herbívoros não podem entrar. Com esta estratégia vamos ser capazes de monitorizar o crescimento da árvores plantadas e criar uma área de segurança para que estas árvores possam crescer, frutificar e produzir sementes que possam ser naturalmente disseminadas.

- Árvores de fruto para a avifauna
Devido à intensa utilização do solo e à frequente existência de fogos, existem poucas árvores de fruto e arbustos disponíveis. Estas espécies são importantes para muitos animais, dos mamíferos às aves, que encontram nos frutos uma nutritiva fonte de alimentação. Este ano a ATN está concentrada em produzir árvores de fruto no viveiro florestal. Durante o mês de Novembro, qualquer pessoa pode vir ajudar-nos a plantar estas árvores.

As árvores plantadas nesta temporada que estão a sobreviver ainda têm um verão rigoroso para enfrentar.

Acreditamos que no futuro esta área poderá ser um exemplo o verdadeiro potencial da floresta autóctone portuguesa, uma floresta com espaço para a vida silvestre e um local para a humanidade desfrutar da beleza e tranquilidade da natureza.

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In 2005 ATN started the 1 Million seeds for the Côa Valley Program, after a big fire that killed almost 50% of the old cork and holm oaks of this region. Since then, ATN works actively on the reforestation of the Côa Valley. This is a big challenge on these poor soils with a dry climate, and many hungry animals are attracted to the fresh young trees and calorie-rich acorns, when nothing else is available. With the support of volunteers, ATN already planted more than 30 000 trees and sown more than 502 000 acorns.


There is not so much experience with creating an indigenous forest in areas like this and that is the reason why ATN have been trying different strategies and monitoring the results during this last decade. We are focused on 4 main aspects:

-        Preventing the risk of fire
In the summer there is a chance of fires inside the area, that is why ATN makes fire surveillance during the most critical months – from June to September. Besides, the field team makes a lot of effort on creating fire prevention zones. On places with young trees they cut the dense bushes of broom (Cytisus multiflorus) around the trees.  The broom is highly flammable and by cutting it the risk of the fire will decrease. When the stem of the young trees near the ground is free of branches a fire is less likely to kill the tree.
Juniperus seeds, sementes de zimbro

-       Sown acorns in a large scale
Last autumn we collected together with volunteers many acorns from Quercus faginea (Carvalho português). We seeded them on different places in the area, especially at the small fence, Bogalha and Alto da Resenha. Alto da Resenha must contain a big family of hungry mice and wild boar who are specialized in finding most of the acorns.  Even mixing acorns with dung of horse and cattle, it is not enough to avoid their accurate nose.  So on this place we will try to plant trees instead of acorns in autumn.  (The other places showed almost no traces of hungry animals until now)

Besides oak acorns, we are making a big effort on collecting Juniperus oxicedrus (Zimbro oxcycedro). This specie is well adapted to the rough circumstances but quite difficult to germinate.  We took many seeds, fresh and old ones, mixed with soil of the old tree and spread most of them in the reserve. We left the selection of the strongest and best adapted seeds to nature itself. A small part of the seeds will grow up at the tree nursery and will be planted when they are big enough.

planting trees, plantando árvores

-        Planting trees inside a small fenced area
The Garrano horses and Maronesa cattle in the reserve play an important role for maintaining the landscape. But sometimes they like also to eat some fresh young trees and for this reason, on one of the days where the whole team goes to the field, a big amout of trees was planted inside the small fence, without the presence of big herbivores. With this strategy we will be able to monitor their growth and create a “safety area” from where seeds will sprout to the entire area.
But the trees and acorns planted in this season that are surviving still have a hot summer ahead. 
-        Fruit trees for birds
Because of the intensive land use in the past and the existence of fires, there are few fruit trees and brambles. These species are important for many small birds and other animals that find the fruits a great food supply. This year ATN is focused on creating wild fruit trees at the tree nursery. In November 2015, everybody will be invited to give a helping hand on planting these trees.


We believe that in the future this area could be an example of the true potential of the native forest in Portugal. A forest with space for wildlife and a place for people to enjoy the beautifulness of nature.