sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Recolher Sementes na Ribeira do Mosteiro

A Associação Transumância e Natureza teve o prazer de guiar uma equipa de voluntários do FUTURO – Projeto das 100.000 Árvores, na recolha de sementes ao longo do percurso pela Ribeira do Mosteiro, um Espaço para a Natureza (EPN) no concelho de Freixo de Espada à Cinta. As sementes recolhidas são destinadas à reflorestação da Área Metropolitana do Porto.
Grupo da Recolha de Sementes: equipa da ATN e voluntários do projecto FUTURO. Nuno Lopes.

Com o sol a espreitar por entre as nuvens, foi Sábado, 22 de Outubro, que as equipas da Associação Transumância e Natureza (ATN) e os voluntários do projeto FUTURO começaram o percurso pedestre na Ribeira do Mosteiro.
A Ribeira do Mosteiro situa-se no Parque Natural do Douro Internacional, freguesia de Poiares, e a localidade mais próxima é Barca D’Alva. O percurso ao longo deste Espaço para a Natureza, perfazendo 8,3 quilómetros, cruza a ribeira do Mosteiro duas vezes, a última pela Ponte das Alminhas. 

Ponte das Alminhas, Ribeira do Mosteiro, EPN.
Com uma paisagem marcada por formações geológicas vigorosas, moinhos de água abandonados e pombais, amendoais, laranjais e olivais, este espaço é a mais recente aquisição da Associação Transumância e Natureza (ATN). O quartzo da montanha cinzenta, intercalado com o branco das formações de xisto, suporta inúmeras espécies vegetais típicas do nordeste português, líquenes, cogumelos, e serve de abrigo às aves que pairam sobre o vale.
A recolha de sementes para a reflorestação da área metropolitana do Porto, no âmbito do FUTURO – Projeto das 100.000 Árvores, contempla árvores nativas desta zona, tais como azinheiras (Quercus rotundifolia), carvalhos (Quercus faginea), zimbros (Juniperus oxycedrus), e zambujeiros (Olea europaea). Esta última espécie, o zambujeiro, ou oliveira-brava, foi especialmente generosa nas sementes que nos doou.
Uma iniciativa do Centro Regional de Excelência em Educação para o Desenvolvimento Sustentável da Área Metropolitana do Porto (CRE.Porto), o projeto FUTURO visa reflorestar cerca de 100 hectares de áreas ardidas com 100.000 árvores de espécies espontâneas da região e, ao mesmo tempo, formar os cidadãos sobre a conservação das florestas metropolitanas.

Pela Calçada de Alpajares

À medida que o percurso atingia novas altitudes, os sacos de sementes foram trocados pelas câmaras fotográficas e momentos de profunda apreciação da paisagem à nossa frente.
A paisagem montanhosa, repleta de dobras quartzíticas, é cruzada pelo vale onde corre o afluente do Douro, a ribeira do Mosteiro, e nela habitam grifos (Gyps fulvus), águias-reais (Aquila chrysaetos) e outras espécies de aves características da região, como o chasco-preto (Oenanthe leucura). Ao longo da paisagem é possível observar diferentes fases da sucessão ecológica à medida que a natureza reclama o seu território e é repovoada por espécies nativas que equilibram o ecossistema.
Grifo (Gyps fulvus) em voo pelas dobras quartzíticas em Ribeira do Mosteiro, EPN.


A meio caminho para o topo, pudemos observar as Pinturas Rupestres paleolíticas da Fraga do Gato e, quando o dia aqueceu e o sol apareceu por detrás das nuvens, os grifos começaram os seus voos rasantes. Foi por aqui que parámos para a merenda e para aproveitar o sol de Outono.
O grupo de voluntários e equipa da ATN em pausa para merenda, Ribeira do Mosteiro, EPN.

O sol não durou muito e foi já acompanhados de chuva miudinha que descemos em direcção à Ponte das Alminhas. São muitas as casas em ruínas que se encontram ao longo do percurso, parte do património cultural do espaço, cujo propósito é a reabilitação futura. O processo de reabilitação numa destas propriedades já começou em Julho.

Collecting Seeds through the land of Ribeira do Mosteiro

The Associação Transumância e Natureza had the pleasure of leading a team of volunteers from FUTURO, the 100,000 Trees Project, as they collected seeds along the route that crosses Ribeira do Mosteiro, a space for Nature in the municipality of Freixo de Espada à Cinta. The collected seeds are intended for the reforestation of the Oporto metropolitan area.

 It was with the sun peeking through the clouds, on Saturday, the 22nd of October, that the team from the Associação Transumância e Natureza (ATN) and the volunteers from FUTURE began the path through Ribeira do Mosteiro.

Ribeira do Mosteiro is located in the International Douro Natural Park. Geographically, it is located in Poiares and the nearest town is Barca D'Alva. The route along the space for Nature, totaling 8.3 kilometers, crosses the Mosteiro River – which gives its name to the space – twice, the last of which is through the Bridge of Alminhas.

With a landscape marked by abandoned watermills and dovecotes; almond, orange and olive groves; this space for Nature is the most recent acquisition of the Associação Transumância e Natureza (ATN). The quartz gray mountain, interspersed with the white of the shale formations, supports many plant species typical of the Portuguese northeast, as well as lichens, mushrooms, and serves as shelter to the birds hovering over the valley.

The collection of seeds for the reforestation of the Oporto metropolitan area, in the context of FUTURE, the 100,000 Trees Project [LINK], targets native trees in the region, such as holm oaks (Quercus rotundifolia), oaks (Quercus faginea), junipers (Juniperus oxycedrus), and the wild olive (Olea europaea). The latter species was especially generous in the seeds that gave us.

An initiative from the Regional Centre of Excellence in Education for Sustainable Development of the Oporto Metropolitan Area (CRE.Porto), FUTURE aims to reforest about 100 hectares of burned areas in Oporto with 100,000 trees of species that grow spontaneously of the region and at the same time, form citizens about the conservation of metropolitan forests.

Calçada de Alpajares


As the route reached new heights, the seed bags were exchanged for the cameras and moments of deep gratitude for the landscape before us.

The hilly landscape, filled with quartzite folds, is crossed by the valley in which flows the tributary of Douro, Mosteiro river, and there dwell griffins (Gyps fulvus), golden eagles (Aquila chrysaetos), and other bird species characteristic of the region, such as the wheatear-black (Oenanthe leucura). Throughout the landscape, one can see the different stages of the ecological succession, as the nature reclaims its territory to civilization, and is repopulated by native species that balance the ecosystem.



Halfway to the top, one could see the rock paintings of Fraga do Gato and, when the day warmed up and the sun came out from behind the clouds, the griffins began their flights through the sky. It was at the time that we stopped for lunch and to enjoy the autumn sunshine.



The sun did not last long and we were accompanied by light rain as we descended towards the bridge of Alminhas. There are many houses in ruins along the route that comprise the cultural heritage of this space for Nature that should hopefully suffer future rehabilitation. The rehabilitation process for these properties has already started in July.