sexta-feira, 12 de maio de 2017

Construção de charcos na Faia Brava



  

Os Charcos Temporários Mediterrânicos constituem um dos mais notáveis e singulares habitats de água doce da Europa e são considerados um habitat prioritário pelo Anexo I da Directiva Habitats. Os charcos são reconhecidos como sendo de elevada importância ecológica, pois para além de terem um papel importante na conectividade com outros habitats de água doce, a diversidade de vida existente num charco temporário ou permanente é grande, sendo em muitos casos superior àquela que se encontra associada a lagoas permanentes ou cursos de água. Estes têm associados serviços de ecossistemas importantes tanto para os humanos como para toda a fauna e flora, sendo responsáveis por recolherem e armazenarem largas quantidades de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera, amenizarem o efeito das cheias, manterem a humidade do solo em períodos secos, ajudarem igualmente na purificação da água e no abastecimento dos aquíferos subterrâneos. 


Uma das espécies que dependem da excelente qualidade destas massas de água é a cegonha-preta, um espécie classificada como estando vulnerável e outrora nidificante dentro da reserva Faia Brava. Dentro da ZPE- Vale do Côa, trabalhamos para promover o habitat de que esta espécie depende, promovendo um complexo de charcos que visam suprimir as necessidades alimentares que esta espécie tem e, dessa forma, esperamos que no futuro esta espécie volte a encontrar aqui o local ideal para o seu sucesso reprodutivo, longe da perturbação das actividades humanas.