segunda-feira, 12 de junho de 2017

Libertação do Britango “Poiares”, um sucesso de equipa



Foi libertado, no dia 2 de Junho, o britango “Poiares”, no Penedo de Durão, a partir de uma ação dinamizada pela Associação Transumância e Natureza (ATN). 
Momento da Libertação (02 de Junho)

O britango tinha sido encontrado no dia 28 de Maio, por uma habitante de Poiares que comunicou com a ATN, identificando-o inicialmente como sendo um milhafre com dificuldades no voo.
Quando a equipa da ATN – no caso, Núria Vallverdú e Eduardo Realinho - chegaram ao local, identificaram o animal como um britango (ou abutre do Egipto) e confirmaram que não tinha nenhum ferimento evidente e que apenas estava a tentar voar embora sem sucesso.
A ação da equipa da ATN foi trazê-lo até Ricardo Brandão, Veterinário do Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens (CERVAS), que no momento estava a participar, como formador, no X Curso de Aves de Rapina (organizado pela ATN durante o fim de semana de 26 a 28 de maio), para que o mesmo pudesse avaliar o animal. 
Primeira Análise Realizada no Terreno por Ricardo Brandão (28 de Maio)
Confirmado que não apresentava nenhum ferimento, Ricardo Brandão, Núria e Eduardo dirigiram-se de seguida para as instalações do CERVAS, em Gouveia, para uma análise mais cuidada.
Aparentemente, o indivíduo apresentava apenas sintomas de desnutrição, no entanto foram recolhidas amostras para que se descartar outro tipo de causas. Núria Vallverdú, como veterinária especialista em toxicologia foi a pessoa que dirigiu as amostras em relação aos despistes que deveriam ser feitos primeiro. 

Nesse sentido, a primeira análise fez-se ao nível de chumbo de forma a poder ser descartada a hipótese de intoxicação. Entretanto, o britango permaneceu no CERVAS, e como se alimentou bem desde o primeiro dia, nos seguintes já mostrou evolução e passou para uma área maior para exercitar o voo.
Na quinta-feira a seguir, dia 1 de Junho, foi feita a colocação de um transmissor de GPS, por José Jambas, e foi batizado com o nome de “Poiares”, devido ao sítio onde foi encontrado.
Preparação do Transmissor por José Jambas (01 de Junho)

Colocação do Transmissor por José Jambas e Ricardo Brandão
Este é o segundo individuo marcado com um transmissor no âmbito do “LIFE Rupis” e a sua colocação permite a monitorização dos seus movimentos.
No dia da libertação, sexta-feira, dia 2 de Junho, os resultados das análises chegaram e concluíram que não havia nada de errado com “Poiares” e que, afinal, o individuo se tratava de uma fêmea.
De salientar que o facto da recuperação de Poiares se ter feito em cinco dias foi bastante importante, pois caso se trate de uma progenitora, o facto de não estar presente impossibilita o outro progenitor de abandonar o ninho, que consequentemente impede a busca de alimento, tanto para as crias como para os indivíduos adultos.
No momento da libertação foi feita uma apresentação do projeto “LIFE Rupis” e uma explicação dos acontecimentos por parte das pessoas que encontraram o Britango.

Última Análise ao Britango por Ricardo Brandão (02 de Junho)
Para além de Ricardo Brandão, a devolução à Natureza da “Poiares”, contou com a presença de vários parceiros da ATN no projeto “LIFE Rupis”, tais como a Vulture Conservation Foundation, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, a Associação Palombar, a Guarda Nacional Republicana, o ICNF e a Presidente da Câmara de Freixo de Espada à Cinta. Algumas personalidades ilustres também estiveram presentes, no caso, Manuel Alegre.
Libertação do Britango Poiares (02 de Junho)
Toda esta ação só foi possível a partir do trabalho desenvolvido pela equipa da ATN, no âmbito do projeto “LIFE Rupis”, nas várias ações de educação ambiental em que se comprova que a população já esta preparada para reagir neste tipo de situações. Para além disso, vê-se reconhecido todo o trabalho de monitorização no campo pela ATN, no controlo de animais feridos e intoxicados.

Britango Poiares de volta à Natureza (02 de Junho)