quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Rupis: Oficina de Formação Creditada para Professores "Educação Ambiental nas Arribas do Douro"

Oficina de Formação "Educação Ambiental nas Arribas do Douro: preparando o pós-Life Rupis"

Esta ação de formação, no âmbito do Life Rupis em parceria com o Centro de Formação da Ordem dos Biólogos, pretende contribuir para o desenvolvimento sustentável local e para a formação cidadã dos jovens em idade escolar. Importa dar continuidade ao trabalho desenvolvido, munindo os professores de ferramentas e conhecimentos para a realização de atividades pós-projecto, a desenvolver no âmbito das disciplinas de Ciências Naturais, Biologia e Geologia, entre outras. 

Formadora responsável: Teresa Brito

Dias e locais:
- 26 de Janeiro de 2019 | 10h às 17h30 - Agrupamento de Escolas de Mogadouro
- 09 de Fevereiro de 2019 | 10h às 17h30 - Plataforma de Ciência Aberta (Barca d’Alva – Figueira de Castelo Rodrigo)
- 04 de Maio de 2019 das 10h às 16h - Casa del Parque Natural Arribes del Duero - Fermoselle (Zamora, Espanha) 

Programa detalhado: abrir link




Público-alvo: Professores dos Ensinos Básico e Secundário. Número de formandos: máx. 20.

Inscrições: gratuitas mas obrigatórias. Até 23 Janeiro, através deste formulário.

Contactos para mais informações: vanessa.oliveira@spea.pt  

Agendas "Faia Brava" - Campanha de Ano Novo | "Faia Brava" Diary - New Year Campaign

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Aproveite, esta campanha é limitada aos primeiros dez interessados!





ENGLISH VERSION


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Enjoy, this campaign is limited to the first ten interested!




quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Assembleia da República discute proibição de medicamento veterinário fatal para abutres e águias | Assembly of the Republic discusses the ban on veterinary medicine, fatal to vultures and eagles

Comercialização de diclofenac para uso pecuário está a aguardar autorização pelo Governo Português e se for aprovada pode colocar em risco várias populações de aves ameaçadas em Portugal.

A Assembleia da República vai discutir, no próximo dia 10, duas propostas de projeto de Lei, submetidas pelo Partido Ecologista Os Verdes (Projeto de Lei n.º 885/XIII/3.ª) e pelo PAN - Pessoas, Animais e Natureza (Projeto de Lei n.º 1056/XIII/4.ª), no sentido de proibir a comercialização e uso em Portugal de medicamentos veterinários que utilizem na sua formulação o diclofenac. Caso esta substância – à qual existem alternativas seguras – seja autorizada e utilizada em Portugal, terá um impacto potencialmente devastador em várias espécies protegidas de aves necrófagas e também nos ecossistemas onde desempenham um importante papel de controlo de doenças.
Grifo (Gyps fulvus) | por: Fernando Romão
O diclofenac, que na pecuária é usado essencialmente como anti-inflamatório e analgésico, foi responsável pelo declínio dramático e abrupto dos abutres do sub-continente Indiano, que quase os levou à extinção. 

Em Portugal, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) está atualmente a avaliar um pedido de autorização de comercialização de um medicamento veterinário para uso pecuário contendo diclofenac.
Britango ou abutre-do-Egipto (Neophron percnopterus) | por: Fernando Romão
As Organizações Não-Governamentais de Ambiente (ONGAs) portuguesas consideram que, face ao melhor conhecimento científico existente e, respeitando o princípio da precaução, o pedido de comercialização não pode ser aprovado e, a comercialização e uso destes medicamentos deve ser definitivamente proibida, evitando o consumar de um risco real, iminente e crítico para a conservação de várias espécies protegidas em Portugal.

De salientar, ainda, a existência de várias alternativas eficazes a este fármaco que têm muito menor impacto nas aves, pelo que o tratamento dos animais domésticos é perfeitamente possível sem recorrer ao uso do diclofenac e pôr em risco os ecossistemas nacionais.

Desde 2014 que ONGAs nacionais e internacionais têm vindo a alertar as autoridades competentes para os possíveis impactos deste medicamento sobre as aves necrófagas (abutres e algumas espécies de águias), tendo apelado ao Governo Português para que não autorize a utilização desta substância em território nacional ao nível da pecuária. 

No seguimento destas preocupações, a Assembleia da República aprovou em abril de 2018 o Projeto de Resolução 1433/XIII apresentado pelo PAN, que recomenda ao Governo Português que não autorize a comercialização de medicamentos veterinários com diclofenac. 

De acordo com a ampla informação científica existente e como referem os alertas já feitos por diversas organizações nacionais e internacionais, o diclofenac pode persistir em concentrações letais numa carcaça até sete dias depois da morte do animal. Quando abutres, águias, ou outros animais necrófagos se alimentam dessa carcaça, ingerem também o diclofenac. 

Em abutres do género Gyps (como o grifo) e em algumas espécies de águia do género Aquila, a substância provoca insuficiência renal aguda que rapidamente leva à morte. Na Índia, bastou que menos de 1% das carcaças disponíveis para os abutres tivessem sido tratadas com diclofenac para causar a redução das populações de três espécies de abutres em mais de 97%, o que levou a que este fármaco tenha sido banido no subcontinente indiano no ano de 2006. Daí para cá tem-se registado uma notável recuperação das populações indianas de abutres.

Grifos (Gyps fulvus) | por: Fernando Romão
Portugal possui importantes populações de abutres e de grandes águias com hábitos necrófagos: o abutre-preto (Aegypius monachus), o britango (Neophron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus), a águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) e a águia-real (Aquila chrysaetos). Os abutres em particular desempenham um papel único nos nossos ecossistemas, limpando as nossas paisagens de cadáveres de animais mortos, e por isso limitando a transmissão de doenças.  A maioria destas espécies tem efetivos muito reduzidos, tendo algumas delas estatutos de conservação muito desfavoráveis em Portugal e no resto do mundo. E todas elas estão protegidas por lei em Portugal e na Europa. Tendo em conta os potenciais impactos do diclofenac nestas espécies, os seus hábitos alimentares e a suas reduzidas populações, caso o diclofenac seja autorizado e utilizado em Portugal, terá um impacto potencialmente devastador nestas aves e também nos ecossistemas onde ocorrem, em consequência do seu importante papel ecológico.
A autorização do diclofenac em Portugal para uso pecuário poderá também colocar em causa de forma irremediável o compromisso e esforço nacionais de conservação das aves necrófagas, desperdiçando uma oportunidade de o Estado Português reiterar o seu empenho relativamente aos objetivos de conservação da natureza e sustentabilidade ambiental a nível nacional e da União Europeia.
Recorde-se que a Convenção Sobre a Conservação de Espécies Migradoras da Fauna Selvagem (CMS ou Convenção de Bona), adotou uma resolução na Conferência das Partes em 2014 (Resolução 11.15 da COP11 da CMS), com o voto favorável de Portugal, que inclui a recomendação legislativa de “proibir o uso do diclofenac veterinário para o tratamento pecuário e substitui-lo por alternativas seguras e já disponíveis, tais como o meloxicam”.
A União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) aprovou também uma moção no âmbito do Congresso Mundial de Conservação realizado em setembro de 2016, em que “Apela aos Governos que implementem urgentemente as recomendações da resolução 11.15 da CMS”, incluindo a referente à proibição do uso do diclofenac veterinário.
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), parceiro nos vários projetos de conservação de aves necrófagas em Portugal, reconheceu já a sua preocupação face à potencial utilização do diclofenac ao nível da pecuária, assim como os riscos que daí advêm para a conservação das populações nacionais de aves necrófagas. A preocupação de todas as organizações envolvidas na preservação destas espécies está evidente na proposta de Plano Nacional para a Conservação das Aves Necrófagas em Portugal, que aguarda ainda aprovação final e implementação.
As organizações subscritoras ficam na expectativa de que as propostas em discussão no dia 10 sejam aprovadas na Assembleia da República, fazendo deste dia um marco positivo para as aves, ecossistemas e saúde pública nacional.
Por: SPEA

ENGLISH VERSION

Commercialization of diclofenac for livestock use is awaiting authorization by the Portuguese Government and if approved may endanger several endangered bird populations in Portugal.

The Assembly of the Republic will discuss, on October 10th, two draft bills, submitted by the Greens Ecologist Party (Bill 885 / XIII / 3) and by the PAN - People, Animals and Nature ( Law no. 1056 / XIII / 4), in order to prohibit the marketing and use in Portugal of veterinary medicinal products that use diclofenac in its formulation. If this substance - to which there are safe alternatives - is authorized and used in Portugal, it will have a potentially devastating impact on a number of protected species of necrophagous birds and also on ecosystems where they play an important role in disease control.

Griffon Vultures (Gyps fulvus) | por: Fernando Romão
Diclofenac, which is essentially used, is livestock, as an anti-inflammatory and analgesic, was responsible for the dramatic and abrupt decline of the vultures of the Indian subcontinent, which almost led to extinction.

In Portugal, the Directorate-General for Food and Veterinary (DGAV) is currently evaluating an application for marketing authorization for a veterinary medicinal product for livestock use, containing diclofenac.

The Portuguese Environmental Non-Governmental Organizations (ONGAs) consider that, in the light of the best available scientific knowledge and in compliance with the precautionary principle, the marketing application cannot be approved and the marketing and use of these medicinal products should be definitively prohibited, avoiding the consummation of a real, imminent and critical risk for the conservation of several protected species in Portugal.

It should also be noted that there are several effective alternatives to this drug, which have a much lower impact on birds, so the treatment of domestic animals is perfectly possible without the use of diclofenac and endangering national ecosystems.

Since 2014, national and international ONGAs have been alerting the competent authorities to the possible impacts of this medicine on necrophagous birds (vultures and some species of eagles) and have appealed to the Portuguese Government not to authorize the use of this substance in the national territory for livestock.

Following these concerns, the Assembly of the Republic approved in April's 2018 the Draft Resolution 1433 / XIII presented by the PAN, which recommends to the Portuguese Government not to authorize the marketing of veterinary medicines with diclofenac.

According to the extensive scientific information available and as reported by several national and international organizations, diclofenac may persist in lethal concentrations in a carcass until seven days after the death of the animal. When vultures, eagles, or other scavengers feed on this carcass, they also ingest diclofenac. 

In genus Gyps Vultures (like griffon vultures) and in some genus Aquila of eagle species, the substance causes an acute renal failure that quickly leads to death. In India, it was enough that less than 1% of the carcasses available to the vultures had been treated with diclofenac to reduce populations of three species of vultures by more than 97 percent, which led to the ban on the Indian subcontinent in 2006. There has been a notable recovery in the Indian vulture populations since then.

Portugal has important populations of vultures and large eagles with necrophagous habits: the black vulture (Aegypius monachus), the Egyptian-vulture (Neophron percnopterus), the griffon vulture (Gyps fulvus), the Iberian imperial eagle (Aquila adalberti) and the eagle -real (Aquila chrysaetos). Vultures, in particular, play a unique role in our ecosystems, clearing our landscapes of dead animal carcasses, and thereby limiting the transmission of diseases. 

Most of these species have very small numbers, some of which have very poor conservation status in Portugal and the rest of the world. And all of them are protected by law in Portugal and Europe. Given the potential impacts of diclofenac on these species, their eating habits and reduced populations, if diclofenac is authorized and used in Portugal, will have a potentially devastating impact on these birds and also on the ecosystems where they occur as a consequence of their important ecological paper.

The authorization of diclofenac in Portugal for livestock use may also irreversibly jeopardize the national commitment and effort to preserve necrophagous birds, thus wasting an opportunity for the Portuguese State to reiterate its commitment to the objectives of nature conservation and environmental sustainability at a national and European Union level.

It is recalled that the Convention on the Conservation of Migratory Species of Wild Fauna (CMS or the Bonn Convention) adopted a resolution at the Conference of the Parties in 2014 (Resolution 11.15 of CMS COP11), with the favorable vote of Portugal, which includes the legislative recommendation "to prohibit the use of veterinary diclofenac for livestock treatment and to replace it with safe and available alternatives such as meloxicam".

The International Union for Conservation of Nature (IUCN) also approved a motion within the World Conservation Congress held in September 2016, which "Urges Governments to urgently implement the recommendations of CMS resolution 11.15," including the ban the use of veterinary diclofenac.

The Institute for Conservation of Nature and Forests (ICNF), a partner in the various projects for the conservation of necrophagous birds in Portugal, has already acknowledged its concern regarding the potential use of diclofenac in livestock farming, as well as the risks that stem from it to the conservation of national populations of necrophagous birds. The concern of all the organizations involved in the preservation of these species is evident in the proposal of the National Plan for the Preservation of Necrophagous Birds in Portugal, which is still awaiting final approval and implementation.

The signatory organizations are hoping that these proposals, on the January 10th, would be approved in the Assembly of the Republic, making this a positive milestone for birds, ecosystems and national public health.
By: SPEA

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

LIFE Rupis: populações das principais presas da águia-perdigueira mantêm-se estáveis no período 2016-2017 | LIFE Rupi: 93/5000 populations of the main prey of the golden eagle remain stable in the period 2016-2017


As populações das principais presas da águia-perdigueira (Aquila fasciata), mantiveram-se relativamente estáveis entre o período 2016-2017, de acordo com dados provisórios do Relatório de Progresso da Ação D3 do projeto “LIFE Rupis – Conservação do Britango (Neophron percnopterus) e da Águia-perdigueira (Aquila fasciata) no vale do rio Douro”, relativa à monitorização das populações de coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), perdiz-vermelha (Alectoris rufa) e pombo-das-rochas (Columba livia).

 Figura 1 - Águia-de-Bonelli (Aquila fasciata).


Os resultados das campanhas de monitorização já realizadas no âmbito da Ação D3, bem como os dados de comparação com os resultados obtidos no contexto da Ação A4 (estudo de base realizado em 2016 para estimar a abundância inicial de presas da águia-perdigueira na área de intervenção do projeto LIFE Rupis), mostram que a situação populacional geral das principais espécies de presas da Aquila fasciata no Parque Natural do Douro Internacional está estável, embora o tamanho das suas populações ainda seja atualmente reduzido.

No entanto, estão já a ser implementadas medidas na área do projeto para tentar reverter este cenário pela ATNatureza – Associação Transumância e Natureza, pela Palombar - Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, pela Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León e pela JCyL - Junta de Castilla y León, parceiros do LIFE Rupis, para aumentar as populações dessas espécies presas, nomeadamente a gestão do habitat da perdiz-vermelha e do coelho-bravo (parcelas com sementeiras e clareiras) e o repovoamento de pombais tradicionais com pombos-das-rochas, cujos efeitos ainda não foram passíveis de avaliar no âmbito deste relatório.

Os dados indicam também que a abundância do coelho-bravo, perdiz-vermelha e pombo-das-rochas não é homogénea em toda a área do Parque Natural do Douro Internacional e do Parque Natural Arribes del Duero, bem como dentro dos territórios da águia-perdigueira. Essas espécies estão relativamente bem distribuídas em toda a área do projeto, estando presentes em níveis sub-ótimos de abundância em vários locais e/ou possuem um padrão de distribuição fragmentado (por exemplo, o coelho-bravo).

 Figura 2 - Ficha de campo utilizada na monitorização das populações de lagomorfos

A abundância relativa de latrinas de coelho-bravo (usada como indicador da abundância de coelhos) foi muito baixa na maioria das áreas amostradas, sugerindo uma reduzida disponibilidade desta espécie para a águia-perdigueira na área do projeto.

No que se refere à perdiz-vermelha, foi registada a sua presença em todos os territórios amostrados, porém a sua abundância relativa foi sobretudo baixa no Parque Natural do Douro Internacional. No geral, os resultados obtidos no lado português foram semelhantes aos reportados pelo parceiro espanhol no Parque Natural Arribes del Duero.
Figura 3 - Perdiz-vermelha (Alectoris rufa).

Relativamente ao pombo-das-rochas, cujos censos avaliaram tanto a sua população selvagem quanto a feral, também esteve presente em todos os territórios monitorizados, mas a sua abundância foi muito variável em toda a área do Douro Internacional. Esta espécie mostrou ser relativamente abundante em determinados territórios, enquanto noutros a sua presença foi escassa.

No geral, as populações de coelho-bravo, perdiz-vermelha e pombo-das-rochas permaneceram relativamente estáveis entre os anos de amostragem (ações A4 e D3) nos Parques Naturais do Douro Internacional e Arribes del Duero, apesar das flutuações interanuais e de algumas alterações locais na sua abundância. É necessário, contudo, dar continuidade, nos próximos anos, à realização de censos para avaliar de forma mais robusta e aprofundada o tamanho e a dinâmica das suas populações.

A situação atual das principais espécies de presas da águia-perdigueira em alguns territórios indicam que há necessidade de continuar a implementar ações específicas no terreno, nomeadamente promover a recuperação e a gestão de pombais tradicionais, a fim de aumentar a abundância de pombos-das-rochas (ação C4) e assegurar a gestão de habitats para a recuperação de populações de perdiz e coelho-bravo (ação C5), bem como fomentar uma adequada gestão cinegética dessas espécies.
Figura 4 - Monitorização das populações de lagomorfos na área de implementação do LIFE Rupis.

O relatório mostrou ainda que é preciso implementar medidas para avaliar 1) o efeito das ações de gestão do habitat já implementadas sobre a abundância de presas selvagens e 2) o efeito da disponibilidade de presas para a população, a dinâmica e o desempenho reprodutivo da águia-perdigueira na área do projeto. Tais análises devem integrar dados tanto do lado português quanto espanhol. No que se refere ao ponto 1), as amostragens para estimar a abundância de coelho-bravo e perdiz no ano de 2018 (ou seja, segundo ano de implementação da ação D3) foram delineadas com esse propósito. Os resultados estarão disponíveis em breve e farão parte de um relatório futuro. Relativamente ao ponto 2), a avaliação da disponibilidade de presas também deve incluir a abundância de outras espécies relevantes na dieta da águia-perdigueira, como a pega-azul (Cyanopica cyanus), o pombo-torcaz (Columba palumbus), o estorninho-malhado (Sturnus vulgaris) e várias espécies da família Turdidae.

O “LIFE Rupis – Conservação do Britango (Neophron percnopterus) e da Águia-perdigueira (Aquila fasciata) no vale do rio Douro” (www.rupis.pt) é um projeto de conservação transfronteiriço, entre Portugal e Espanha, cofinanciado através do programa LIFE da Comissão Europeia. Para além da componente de conservação da natureza, desenvolve diversas atividades de promoção da região do Parque Natural do Douro Internacional, dos seus valores naturais e do seu potencial para o turismo ornitológico. Coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA), o projeto LIFE Rupis tem como parceiros: a ATNatureza - Associação Transumância e Natureza, a Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a Junta de Castilla y León, a Fundación Patrimonio Natural de Castilla y León, a Vulture Conservation Foundation (VCF), a EDP Distribuição e a Guarda Nacional Republicana (GNR).
Na região transfronteiriça do vale do Douro, área de intervenção do projeto LIFE Rupis, o número de casais de águia-perdigueira permaneceu estável na última década (13–14 casais reprodutores desde 2006), no entanto, o seu sucesso reprodutor diminuiu de 8 crias voadoras, em 2006, para apenas 4, em 2013. Um dos principais objetivos do projeto LIFE Rupis é inverter esta tendência.

Os baixos valores de sucesso reprodutor da espécie verificados na região têm sido associados, em parte, à reduzida disponibilidade de espécies como o coelho-bravo, a perdiz-vermelha e o pombo-das-rochas. Estas são as principais espécies de presas da águia-perdigueira na Península Ibérica, tanto durante a época de reprodução, como no período não reprodutivo, como atestam vários estudos já realizados.

As populações dessas espécies de presas diminuíram drasticamente em muitas regiões da Península Ibérica como resultado de mudanças no uso do solo, surtos de doenças e/ou gestão inadequada da caça, gerando consequências negativas para uma grande comunidade de predadores vertebrados, incluindo a águia-perdigueira.
A relativa escassez das suas principais presas em muitas áreas do vale do Douro forçou as águia-perdigueira a diversificaram a sua alimentação e a procurarem outras fontes de alimento como passeriformes de médio a grande porte e répteis (as quais poderão representar presas sub-ótimas em termos energéticos).

A gestão e a conservação eficazes das principais presas da águia-perdigueira são, portanto, cruciais para a viabilidade populacional desta ave de rapina no vale do Douro. Diversas ações focadas na recuperação e no reforço das populações dessas espécies na região são de importância fulcral no contexto do projeto LIFE Rupis, com vista a aumentar a disponibilidade de presas para a águia-perdigueira.

As ações direcionadas para assegurar a melhoria da qualidade do habitat do coelho-bravo e da perdiz-vermelha (ações C5 e C6), por um lado, e para promover a recuperação de pombais tradicionais e repovoamento com pombo-das-rochas (ação C4), por outro, são algumas das ações de conservação/gestão que já estão a ser implementadas.

Adicionalmente, será realizada ainda uma avaliação da distribuição e abundância das principais presas da águia-perdigueira (ações A4 e D3) e a monitorização das suas tendências populacionais (ação D3), medidas que são fundamentais para aferir sobre o estado dessas populações na área do projeto, bem como para avaliar o sucesso das ações de conservação/gestão realizadas.

ENGLISH VERSION BELOW
Populations of the main prey of the bird-eagle (Aquila fasciata) have remained relatively stable between the period 2016-2017, according to provisional data from the Progress Report on Action D3 of the project LIFE Rupis (Neophron percnopterus (Aquila fasciata) in the Douro river valley ", on the monitoring of the populations of wild rabbits (Oryctolagus cuniculus), red partridge (Alectoris rufa) and pigeon-rock (Columba livia).

Figure 1 - Bonelli's eagle (Aquila fasciata).

The results of the monitoring campaigns already carried out under Action D3, as well as the comparison data with the results obtained in the context of Action A4 (a baseline study carried out in 2016 to estimate the initial abundance of prey in the LIFE Rupis project), show that the general population situation of the main Aquila fasciata prey species in the Douro International Natural Park is stable, although the size of their populations is still currently low.

However, measures are already being implemented in the project area to try to reverse this scenario by ATNatureza - Transhumance and Nature Association, by Palombar - Association for the Conservation of Nature and Rural Heritage, by the Natural Heritage Foundation of Castilla y León and by JCyL - Junta de Castilla y León, partners of LIFE Rupis, to increase the populations of these prey species, namely the management of the habitat of red partridge and wild rabbit (plots with sowings and clearings) and the repopulation of traditional pigeons with pigeons- the effects of which have not yet been assessed in the context of this report.

The data also indicate that the abundance of wild rabbit, red partridge and rock pigeon is not homogeneous throughout the area of ​​the Natural Park of the International Douro and Arribes del Duero Natural Park, as well as within the territories of the eagle- pecker. These species are relatively well distributed throughout the project area, being present at sub-optimal levels of abundance at various sites and / or have a fragmented distribution pattern (eg wild rabbit).

Figure 2 - Field sheet used to monitor the populations of lagomorphs

The relative abundance of wild-rabbit latrines (used as an indicator of rabbit abundance) was very low in most of the sampled areas, suggesting a reduced availability of this species to the golden eagle in the project area.

With regard to the red partridge, its presence was registered in all the territories sampled, but its relative abundance was mostly low in the Douro International Natural Park. In general, the results obtained on the Portuguese side were similar to those reported by the Spanish partner in the Arribes del Duero Natural Park.
Figure 3 - Red-headed partridge (Alectoris rufa).

In relation to the rock pigeon, whose censuses evaluated both its wild and feral populations, it was also present in all monitored territories, but its abundance was very variable throughout the Douro International area. This species showed to be relatively abundant in certain territories, while in others its presence was scarce.

In general, the wild-rabbit, red-partridge and rock-pigeon populations remained relatively stable between the sampling years (actions A4 and D3) in the Natural Parks of the International Douro and Arribes del Duero, despite the interannual and some local changes in their abundance. It is necessary, however, to continue, in the next few years, the carrying out of censuses to assess in a more robust and in depth the size and dynamics of its populations.

The current situation of the main species of prey in certain territories indicates that there is a need to continue to implement specific actions on the ground, namely to promote the recovery and management of traditional pigeons, in order to increase the abundance of pigeons, (action C4) and ensure the management of habitats for the recovery of partridge populations and wild rabbit (C5 action), as well as to promote an adequate hunting management of these species.

Figura 4 - Monitorização das populações de lagomorfos na área de implementação do LIFE Rupis.

 The report also showed that measures need to be implemented to assess 1) the effect of habitat management actions already implemented on wild prey abundance and 2) the effect of prey availability on the population, dynamics and reproductive performance of the eagle -perdigueira in the project area. Such analyzes should integrate data from both the Portuguese and Spanish sides. Concerning point 1), the samplings to estimate the abundance of wild rabbit and partridge in the year 2018 (that is, the second year of implementation of the D3 action) were delineated for this purpose. The results will be available shortly and will be part of a future report. Regarding point (2), the assessment of the availability of prey should also include the abundance of other relevant species in the diet of black-winged eagle, such as the blue-eared bird (Cyanopica cyanus), the wood pigeon (Columba palumbus) (Sturnus vulgaris) and several species of the Turdidae family.

The "LIFE Rupis - Conservation of Brittany (Neophron percnopterus) and Perigord eagle (Aquila fasciata) in the Douro river valley" (www.rupis.pt) is a cross-border conservation project between Portugal and Spain, co-financed through the program LIFE of the European Commission. In addition to the nature conservation component, it develops several activities to promote the Douro International Natural Park region, its natural values ​​and its potential for ornithological tourism. Coordinated by the Portuguese Society for the Study of Birds (SPEA), the LIFE Rupis project has as partners: ATNatureza - Transhumance and Nature Association, Palombar - Association for Conservation of Nature and Rural Heritage, Institute of Nature Conservation and Forests (ICNF), the Junta de Castilla y León, Fundación Castilla y León, the Vulture Conservation Foundation (VCF), EDP Distribuição and the National Republican Guard (GNR).

In the cross-border region of the Douro valley, LIFE Rupis intervention area, the number of patagonian eagle couples remained stable in the last decade (13-14 breeding pairs since 2006), however, their breeding success decreased from 8 young flying in 2006 to only 4 in 2013. One of the main objectives of the LIFE Rupis project is to reverse this trend.

The low reproductive success rates of the species found in the region have been associated, in part, with the reduced availability of species such as wild rabbits, red partridges and rock pigeons. These are the main bird prey species in the Iberian Peninsula, both during the breeding season and in the non-breeding season, as shown by several studies already carried out.

Populations of these prey species have declined dramatically in many regions of the Iberian Peninsula as a result of changes in land use, disease outbreaks and / or inadequate management of game, resulting in negative consequences for a large community of vertebrate predators, including bird of prey .
The relative scarcity of their main prey in many areas of the Douro valley has forced the partridge eagles to diversify their food and to seek other sources of food such as medium to large passerines and reptiles (which may represent sub-optimal prey in energy terms).

The effective management and conservation of the main prey of the bird of prey are therefore crucial to the viability of this bird of prey in the Douro valley. Several actions focused on the recovery and strengthening of the populations of these species in the region are of paramount importance in the context of the LIFE Rupis project, with a view to increasing the availability of prey for the golden eagle.

The actions directed to ensure the improvement of the habitat quality of the wild rabbit and the red partridge (actions C5 and C6), on the one hand, and to promote the recovery of traditional pigeons and repopulation with rock pigeon (action C4 ), on the other, are some of the conservation / management actions that are already being implemented.

In addition, an assessment will be made of the distribution and abundance of the main prey birds (actions A4 and D3) and the monitoring of their population trends (action D3), measures that are fundamental for assessing the status of these populations in the area of project, as well as to evaluate the success of conservation / management actions undertaken.


terça-feira, 27 de novembro de 2018

LIFE Rupis: ATNatureza devolve 2 grifos à Natureza com alunos de Figueira de Castelo Rodrigo | LIFE Rupis: ATNatureza returns 2 griffon vultures to Nature with students from Figueira de Castelo Rodrigo School

Saiba mais sobre o projecto: www.rupis.pt 

No passado dia 25 de Outubro, no âmbito do projecto LIFE Rupis, a ATNatureza dinamizou, com os alunos de Figueira de Castelo Rodrigo, a devolução à Natureza de dois grifos, no Miradouro Alto da Sapinha, em colaboração com elementos do CERVAS. 
Para além dos cerca de 30 alunos presentes, assistiram também à devolução, alguns elementos dos Bombeiros Voluntários de Figueira de Castelo Rodrigo, entre outros particulares. 

A actividade começou com uma breve contextualização do projecto LIFE Rupis e do motivo pelo qual estes indivíduos estiveram em recuperação no CERVAS (Centro de Ecologia, Recuperação e Vigilância de Animais Selvagens), seguidos de algumas notas a ter em conta aquando da devolução. 
Depois de todas as orientações dadas e designados os alunos para apoiarem na devolução, chegou o momento que todos esperavam para poderem ver estes gigantes necrófagos bem de perto.
Com o primeiro indivíduo o momento foi bastante rápido: no instante em que foram levantadas as protecções, este, imediatamente saiu da caixa de transporte e levantou voo, tendo, no entanto, parado em um telhado da propriedade para se habituar. 
O segundo grifo a devolver à Natureza deu mais tempo para que todos pudessem apreciar e registar o momento. Depois de tiradas as protecções e tendo saído muito devagar da caixa de transporte, o animal esteve mais de uma hora junto do grupo. 
Esta actividade está inserida nas acções E1 do projecto LIFE Rupis, cujo objectivo é a educação ambiental e sensibilização de público escolar e em geral, para as espécies-alvo do projecto e para a protecção e conservação dos ecossistemas. 
Estes dois grifos foram encontrados muito debilitados pela equipa de Vigilantes da Natureza do Parque Natural da Serra da Estrela que os entregou aos cuidados do CERVAS. 

No centro, estes indivíduos, primeiramente, foram hidratados e alimentados adequadamente, seguido de um período de musculação e socialização em túnel de voo. 

A equipa da ATNatureza ficou muito satisfeita com esta actividade ao verificar o interesse e entusiasmo dos alunos e que estes ainda têm bem presente o que é o projecto LIFE Rupis e o seu objectivo. 

Aproveitamos ainda para agradecer a presença do CERVAS, dos alunos e professores do Agrupamento de Escolas de Figueira de Castelo Rodrigo, dos Bombeiros Voluntários e dos outros elementos que assistiram à actividade. 

ENGLISH VERSION 

On October 25th, in the scope of the LIFE Rupis project, ATNatureza team, with the students of Figueira de Castelo Rodrigo, organized the return to nature of two griffon vultures, at the seepoint Alto da Sapinha, in collaboration with CERVAS members.
In addition to the 30 students present, some elements of the Volunteer Firefighters of Figueira de Castelo Rodrigo, among others, also attended the activity.

The activity began with a brief contextualization of the LIFE Rupis project and the reason these individuals were recovering at CERVAS (Ecology, Recovery and Surveillance of Wildlife Center), followed by some notes to be taken into account when the return.
After all the directions given and assigned the students to help, came the time that everyone waited for. 
With the first individual, the moment was very fast: at the moment the protections were lifted, it immediately left the transport box and took flight, but nevertheless stopped on a roof of the property to settled.
The second griffon vulture to give back to Nature gave more time for everyone to enjoy and record the moment. After the protections had been removed, and left very slowly from the transport box, the animal had been more than an hour with the group.
This activity is part of the E1 actions of the LIFE Rupis project, the aim of which is environmental education and awareness raising for the school and in general public, for the target species of the project and for the protection and conservation of ecosystems.
These two griffon vultures were found very debilitated by the team of Nature Watchers of the Natural Park of Serra da Estrela who delivered them to the care of the CERVAS.
In the center, these individuals were first hydrated and fed properly, followed by a period of exercise and socialization in flight tunnel.

The ATNatureza team is very satisfied with this activity by checking the interest and enthusiasm of the students and that they are still well aware of what the LIFE Rupis project is and its purpose.

We would also like to thank CERVAS, the students and teachers of the School Group of Figueira de Castelo Rodrigo, the Volunteer Firefighters and other members who attended the activity.