A Associação Transumância e Natureza (ATN), gere atualmente três Campos de Alimentação de Aves Necrófagas
(CAAN) nos municípios de Figueira de Castelo Rodrigo (CAANs de Almofala e
Escalhão) e Freixo de Espada à Cinta (CAAN do Penedo Durão), com participação
ativa no desenvolvimento e implementação desta estratégia, bem como a
monitorização e coleta de dados para estudar possíveis adaptações e demonstrar
a sua eficácia.
A implementação desta estratégia
já deu seus resultados nos CAANs de Almofala e Penedo Durão, que foram
construídos nos anos 90 para mitigar as restrições sanitárias Europeias
impostas após a crise da doença das vacas loucas, e que são atualmente geridos
pela ATN. Vários casais de britango foram observados voando sobre estes
alimentadores artificiais e alimentando-se, e no caso de Almofala, foram
registradas sessões de alimentação nas que britangos,
abutres-pretos, milhafres-reais e grifos se alimentaram simultaneamente (vídeo 1:
CAAN Almofala).
Além disso, as sessões experimentais nestes dois alimentadores
pré-existentes e os mais de 5 anos de experiência da equipa técnica da ATN na
gestão de CAANs, têm permitido que a construção e estabelecimento do novo CAAN
de Escalhão construído no âmbito do projeto Rupis seja um sucesso desde o
primeiro dia. Vários britangos sobrevoavam o alimentador e pousaram para comer,
logo na primeira sessão de alimentação em Escalhão. Durante a segunda sessão de
alimentação, foram 6 indivíduos que pousaram para se alimentar no CAAN (vídeo 2: CAAN
Escalhão).
Por parte da ATN, estamos ansiosos para ver o que vai acontecer nas
próximas sessões de alimentação nos CAANs do projeto Rupis, depois destes resultados
promissores em termos de conservação, não só do britango mas também das outras
aves necrófagas da região.
A gestão deste projeto surge no
âmbito do Life Rupis, em que está a ser desenvolvida uma estratégia transfronteiriça de alimentação artificial através da
Rede de campos de alimentação de aves necrófagas (CAAN) do Parque Natural do
Douro Internacional e Parque Natural Arribes del Duero. Esta estratégia
pretende implementar um programa de suplementação alimentar, com o objetivo de
aumentar a produtividade dos casais de britango, que pode também adicionalmente
aumentar a disponibilidade alimentar para o abutre-preto (Aegypius monachus) e o milhafre-real (Milvus milvus).
Na Europa, a população de
britangos tem sofrido um declínio de
cerca de 50% nos últimos 40 anos, e o estado de conservação para esta espécie
está listado como "Em Perigo" quer em Espanha quer em Portugal. As
principais ameaças a essa espécie são a redução
de disponibilidade alimentar (por causa da redução do efetivo pecuário e
das restrições sanitárias pela encefalopatia espongiforme bovina ou “doença das
vacas loucas”), o uso ilegal de veneno, a perturbação dos locais de
nidificação, a colisão com linhas elétricas e a electrocução. Apesar disso, as
Zonas de Proteção Especial (ZPE) do Douro Internacional e Vale do Águeda e das
Arribes del Duero abrangem uma população de 121 a 135 casais (ICNF/JCyL; dados
de 2016), e constitui uma das mais importantes populações na Península Ibérica.
Esta é precisamente a área de intervenção do projeto transfronteiriço ‘Life Rupis – Conservação do britango e da
águia-perdigueira no vale do rio Douro’, que pretende reforçar as
populações de britango e águia-perdigueira nesta região através da redução da
sua mortalidade e do aumento do seu sucesso reprodutor.
De todas as diferentes espécies
de abutres que existem na Europa, o britango
ou abutre-do-Egito (Neophron percnopterus),
é o mais pequeno. Esta espécie, facilmente reconhecível pela sua plumagem
branca e preta e a sua face amarela, pode ser vista na Península Ibérica a
partir de finais de fevereiro. A sua reprodução é de março a setembro,
nidificando em cavidades e plataformas rochosas em vales fluviais e montanhas.
Durante o outono, migra para sul, e inverna na África subsaariana (foto 1:
britango - no topo).







