quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Rupis: Oficina de Formação Creditada para Professores "Educação Ambiental nas Arribas do Douro"

Oficina de Formação "Educação Ambiental nas Arribas do Douro: preparando o pós-Life Rupis"

Esta ação de formação, no âmbito do Life Rupis em parceria com o Centro de Formação da Ordem dos Biólogos, pretende contribuir para o desenvolvimento sustentável local e para a formação cidadã dos jovens em idade escolar. Importa dar continuidade ao trabalho desenvolvido, munindo os professores de ferramentas e conhecimentos para a realização de atividades pós-projecto, a desenvolver no âmbito das disciplinas de Ciências Naturais, Biologia e Geologia, entre outras. 

Formadora responsável: Teresa Brito

Dias e locais:
- 26 de Janeiro de 2019 | 10h às 17h30 - Agrupamento de Escolas de Mogadouro
- 09 de Fevereiro de 2019 | 10h às 17h30 - Plataforma de Ciência Aberta (Barca d’Alva – Figueira de Castelo Rodrigo)
- 04 de Maio de 2019 das 10h às 16h - Casa del Parque Natural Arribes del Duero - Fermoselle (Zamora, Espanha) 

Programa detalhado: abrir link




Público-alvo: Professores dos Ensinos Básico e Secundário. Número de formandos: máx. 20.

Inscrições: gratuitas mas obrigatórias. Até 23 Janeiro, através deste formulário.

Contactos para mais informações: vanessa.oliveira@spea.pt  

Agendas "Faia Brava" - Campanha de Ano Novo | "Faia Brava" Diary - New Year Campaign

Não se esqueça de nada em 2019, principalmente da Natureza e participe na nossa Campanha!

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Aproveite, esta campanha é limitada aos primeiros dez interessados!





ENGLISH VERSION


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Enjoy, this campaign is limited to the first ten interested!




quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Assembleia da República discute proibição de medicamento veterinário fatal para abutres e águias | Assembly of the Republic discusses the ban on veterinary medicine, fatal to vultures and eagles

Comercialização de diclofenac para uso pecuário está a aguardar autorização pelo Governo Português e se for aprovada pode colocar em risco várias populações de aves ameaçadas em Portugal.

A Assembleia da República vai discutir, no próximo dia 10, duas propostas de projeto de Lei, submetidas pelo Partido Ecologista Os Verdes (Projeto de Lei n.º 885/XIII/3.ª) e pelo PAN - Pessoas, Animais e Natureza (Projeto de Lei n.º 1056/XIII/4.ª), no sentido de proibir a comercialização e uso em Portugal de medicamentos veterinários que utilizem na sua formulação o diclofenac. Caso esta substância – à qual existem alternativas seguras – seja autorizada e utilizada em Portugal, terá um impacto potencialmente devastador em várias espécies protegidas de aves necrófagas e também nos ecossistemas onde desempenham um importante papel de controlo de doenças.
Grifo (Gyps fulvus) | por: Fernando Romão
O diclofenac, que na pecuária é usado essencialmente como anti-inflamatório e analgésico, foi responsável pelo declínio dramático e abrupto dos abutres do sub-continente Indiano, que quase os levou à extinção. 

Em Portugal, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) está atualmente a avaliar um pedido de autorização de comercialização de um medicamento veterinário para uso pecuário contendo diclofenac.
Britango ou abutre-do-Egipto (Neophron percnopterus) | por: Fernando Romão
As Organizações Não-Governamentais de Ambiente (ONGAs) portuguesas consideram que, face ao melhor conhecimento científico existente e, respeitando o princípio da precaução, o pedido de comercialização não pode ser aprovado e, a comercialização e uso destes medicamentos deve ser definitivamente proibida, evitando o consumar de um risco real, iminente e crítico para a conservação de várias espécies protegidas em Portugal.

De salientar, ainda, a existência de várias alternativas eficazes a este fármaco que têm muito menor impacto nas aves, pelo que o tratamento dos animais domésticos é perfeitamente possível sem recorrer ao uso do diclofenac e pôr em risco os ecossistemas nacionais.

Desde 2014 que ONGAs nacionais e internacionais têm vindo a alertar as autoridades competentes para os possíveis impactos deste medicamento sobre as aves necrófagas (abutres e algumas espécies de águias), tendo apelado ao Governo Português para que não autorize a utilização desta substância em território nacional ao nível da pecuária. 

No seguimento destas preocupações, a Assembleia da República aprovou em abril de 2018 o Projeto de Resolução 1433/XIII apresentado pelo PAN, que recomenda ao Governo Português que não autorize a comercialização de medicamentos veterinários com diclofenac. 

De acordo com a ampla informação científica existente e como referem os alertas já feitos por diversas organizações nacionais e internacionais, o diclofenac pode persistir em concentrações letais numa carcaça até sete dias depois da morte do animal. Quando abutres, águias, ou outros animais necrófagos se alimentam dessa carcaça, ingerem também o diclofenac. 

Em abutres do género Gyps (como o grifo) e em algumas espécies de águia do género Aquila, a substância provoca insuficiência renal aguda que rapidamente leva à morte. Na Índia, bastou que menos de 1% das carcaças disponíveis para os abutres tivessem sido tratadas com diclofenac para causar a redução das populações de três espécies de abutres em mais de 97%, o que levou a que este fármaco tenha sido banido no subcontinente indiano no ano de 2006. Daí para cá tem-se registado uma notável recuperação das populações indianas de abutres.

Grifos (Gyps fulvus) | por: Fernando Romão
Portugal possui importantes populações de abutres e de grandes águias com hábitos necrófagos: o abutre-preto (Aegypius monachus), o britango (Neophron percnopterus), o grifo (Gyps fulvus), a águia-imperial-ibérica (Aquila adalberti) e a águia-real (Aquila chrysaetos). Os abutres em particular desempenham um papel único nos nossos ecossistemas, limpando as nossas paisagens de cadáveres de animais mortos, e por isso limitando a transmissão de doenças.  A maioria destas espécies tem efetivos muito reduzidos, tendo algumas delas estatutos de conservação muito desfavoráveis em Portugal e no resto do mundo. E todas elas estão protegidas por lei em Portugal e na Europa. Tendo em conta os potenciais impactos do diclofenac nestas espécies, os seus hábitos alimentares e a suas reduzidas populações, caso o diclofenac seja autorizado e utilizado em Portugal, terá um impacto potencialmente devastador nestas aves e também nos ecossistemas onde ocorrem, em consequência do seu importante papel ecológico.
A autorização do diclofenac em Portugal para uso pecuário poderá também colocar em causa de forma irremediável o compromisso e esforço nacionais de conservação das aves necrófagas, desperdiçando uma oportunidade de o Estado Português reiterar o seu empenho relativamente aos objetivos de conservação da natureza e sustentabilidade ambiental a nível nacional e da União Europeia.
Recorde-se que a Convenção Sobre a Conservação de Espécies Migradoras da Fauna Selvagem (CMS ou Convenção de Bona), adotou uma resolução na Conferência das Partes em 2014 (Resolução 11.15 da COP11 da CMS), com o voto favorável de Portugal, que inclui a recomendação legislativa de “proibir o uso do diclofenac veterinário para o tratamento pecuário e substitui-lo por alternativas seguras e já disponíveis, tais como o meloxicam”.
A União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) aprovou também uma moção no âmbito do Congresso Mundial de Conservação realizado em setembro de 2016, em que “Apela aos Governos que implementem urgentemente as recomendações da resolução 11.15 da CMS”, incluindo a referente à proibição do uso do diclofenac veterinário.
O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), parceiro nos vários projetos de conservação de aves necrófagas em Portugal, reconheceu já a sua preocupação face à potencial utilização do diclofenac ao nível da pecuária, assim como os riscos que daí advêm para a conservação das populações nacionais de aves necrófagas. A preocupação de todas as organizações envolvidas na preservação destas espécies está evidente na proposta de Plano Nacional para a Conservação das Aves Necrófagas em Portugal, que aguarda ainda aprovação final e implementação.
As organizações subscritoras ficam na expectativa de que as propostas em discussão no dia 10 sejam aprovadas na Assembleia da República, fazendo deste dia um marco positivo para as aves, ecossistemas e saúde pública nacional.
Por: SPEA

ENGLISH VERSION

Commercialization of diclofenac for livestock use is awaiting authorization by the Portuguese Government and if approved may endanger several endangered bird populations in Portugal.

The Assembly of the Republic will discuss, on October 10th, two draft bills, submitted by the Greens Ecologist Party (Bill 885 / XIII / 3) and by the PAN - People, Animals and Nature ( Law no. 1056 / XIII / 4), in order to prohibit the marketing and use in Portugal of veterinary medicinal products that use diclofenac in its formulation. If this substance - to which there are safe alternatives - is authorized and used in Portugal, it will have a potentially devastating impact on a number of protected species of necrophagous birds and also on ecosystems where they play an important role in disease control.

Griffon Vultures (Gyps fulvus) | por: Fernando Romão
Diclofenac, which is essentially used, is livestock, as an anti-inflammatory and analgesic, was responsible for the dramatic and abrupt decline of the vultures of the Indian subcontinent, which almost led to extinction.

In Portugal, the Directorate-General for Food and Veterinary (DGAV) is currently evaluating an application for marketing authorization for a veterinary medicinal product for livestock use, containing diclofenac.

The Portuguese Environmental Non-Governmental Organizations (ONGAs) consider that, in the light of the best available scientific knowledge and in compliance with the precautionary principle, the marketing application cannot be approved and the marketing and use of these medicinal products should be definitively prohibited, avoiding the consummation of a real, imminent and critical risk for the conservation of several protected species in Portugal.

It should also be noted that there are several effective alternatives to this drug, which have a much lower impact on birds, so the treatment of domestic animals is perfectly possible without the use of diclofenac and endangering national ecosystems.

Since 2014, national and international ONGAs have been alerting the competent authorities to the possible impacts of this medicine on necrophagous birds (vultures and some species of eagles) and have appealed to the Portuguese Government not to authorize the use of this substance in the national territory for livestock.

Following these concerns, the Assembly of the Republic approved in April's 2018 the Draft Resolution 1433 / XIII presented by the PAN, which recommends to the Portuguese Government not to authorize the marketing of veterinary medicines with diclofenac.

According to the extensive scientific information available and as reported by several national and international organizations, diclofenac may persist in lethal concentrations in a carcass until seven days after the death of the animal. When vultures, eagles, or other scavengers feed on this carcass, they also ingest diclofenac. 

In genus Gyps Vultures (like griffon vultures) and in some genus Aquila of eagle species, the substance causes an acute renal failure that quickly leads to death. In India, it was enough that less than 1% of the carcasses available to the vultures had been treated with diclofenac to reduce populations of three species of vultures by more than 97 percent, which led to the ban on the Indian subcontinent in 2006. There has been a notable recovery in the Indian vulture populations since then.

Portugal has important populations of vultures and large eagles with necrophagous habits: the black vulture (Aegypius monachus), the Egyptian-vulture (Neophron percnopterus), the griffon vulture (Gyps fulvus), the Iberian imperial eagle (Aquila adalberti) and the eagle -real (Aquila chrysaetos). Vultures, in particular, play a unique role in our ecosystems, clearing our landscapes of dead animal carcasses, and thereby limiting the transmission of diseases. 

Most of these species have very small numbers, some of which have very poor conservation status in Portugal and the rest of the world. And all of them are protected by law in Portugal and Europe. Given the potential impacts of diclofenac on these species, their eating habits and reduced populations, if diclofenac is authorized and used in Portugal, will have a potentially devastating impact on these birds and also on the ecosystems where they occur as a consequence of their important ecological paper.

The authorization of diclofenac in Portugal for livestock use may also irreversibly jeopardize the national commitment and effort to preserve necrophagous birds, thus wasting an opportunity for the Portuguese State to reiterate its commitment to the objectives of nature conservation and environmental sustainability at a national and European Union level.

It is recalled that the Convention on the Conservation of Migratory Species of Wild Fauna (CMS or the Bonn Convention) adopted a resolution at the Conference of the Parties in 2014 (Resolution 11.15 of CMS COP11), with the favorable vote of Portugal, which includes the legislative recommendation "to prohibit the use of veterinary diclofenac for livestock treatment and to replace it with safe and available alternatives such as meloxicam".

The International Union for Conservation of Nature (IUCN) also approved a motion within the World Conservation Congress held in September 2016, which "Urges Governments to urgently implement the recommendations of CMS resolution 11.15," including the ban the use of veterinary diclofenac.

The Institute for Conservation of Nature and Forests (ICNF), a partner in the various projects for the conservation of necrophagous birds in Portugal, has already acknowledged its concern regarding the potential use of diclofenac in livestock farming, as well as the risks that stem from it to the conservation of national populations of necrophagous birds. The concern of all the organizations involved in the preservation of these species is evident in the proposal of the National Plan for the Preservation of Necrophagous Birds in Portugal, which is still awaiting final approval and implementation.

The signatory organizations are hoping that these proposals, on the January 10th, would be approved in the Assembly of the Republic, making this a positive milestone for birds, ecosystems and national public health.
By: SPEA