terça-feira, 10 de março de 2020

Caçadores e gestores cinegéticos testam munições sem chumbo para minimizar efeitos adversos em espécies de fauna silvestre e na saúde humana | Hunters and hunting managers test lead-free ammunition to minimize adverse effects on wildlife species and human health


Caçadores e gestores cinegéticos testam munições sem chumbo para minimizar efeitos adversos em espécies de fauna silvestre e na saúde humana

No passado dia 29 de fevereiro, a ATNatureza promoveu testes de munições sem chumbo para caça maior. Nesta ação participaram caçadores e gestores cinegéticos que ficaram sensibilizados sobre as consequências negativas da utilização de munições com chumbo para as espécies necrófagas e na própria qualidade da carne da caça, que é posteriormente consumida.

Informação e experiência valiosas

Os participantes puderam contactar com informação veiculada por um especialista em munições, que lhes expôs as diferenças técnicas entre as munições convencionais com chumbo e munições alternativas da nova geração, constituídas por ligas metálicas alternativas, isentas daquele metal pesado. Estas munições, para além de igualmente eficazes, ou mesmo superiores, no que respeita ao comportamento balístico, tem a vantagem de não se fragmentarem aquando do embate na peça de caça. “Esta é uma das diferenças fundamentais entre os dois tipos de munições: as munições com chumbo fragmentam-se quando embatem no alvo, sendo que testes efectuados em ambiente controlado demonstraram que, em média, os projéteis com chumbo perdem cerca de 23% do seu peso após o embate, enquanto que as munições de nova geração se mantêm integras”, afirmou o Dr. Rui Pereira (CACICAMBRA), que colaborou nesta experiência. “É também uma forma de promover o aproveitamento integral da carne, dado não ocorrer contaminação da mesma com este tipo de projécteis, ao invés do que ocorre com os de chumbo”.
A perda que se verifica nos projéteis de chumbo corresponde a pequenos fragmentos que ficam geralmente incorporados na peça de caça, contaminando a carne na zona de percurso do projétil. Esta carne não deve ser consumida, nem por humanos, nem pela fauna silvestre, dada a elevada toxicidade deste metal pesado. Estas partículas uma vez ingeridas, são degradadas e absorvidas para a corrente sanguínea, são bio-acumuláveis, podendo desenvolver níveis de toxicidade aguda que podem causar alterações fisiológicas, comportamentais e mesmo a morte.

Foi ainda veiculada informação, desconhecida para muitos, sobre os efeitos que a ingestão destas partículas tem nas espécies necrófagas, que se podem alimentar de animais não cobrados ou dos seus restos. Esta problemática é sobejamente conhecida em aves aquáticas, nomeadamente anatídeos, mas é ainda desconhecida para este grupo de espécies, que são particularmente sensíveis, por apresentarem elevada longevidade e ciclos de vida longos, com maturidade sexual tardia e baixa produtividade, em especial em áreas onde a caça maior constitui uma proporção importante do seu alimento. “Algumas das espécies com hábitos necrófagos que ocorrem em Portugal, como o abutre-preto, o britango e a águia-imperial, apresentam populações de reduzida dimensão e encontram-se ameaçadas, pelo que minimizar o impacto desta ameaça contribui certamente para a sua conservação” referiu Carlos Pacheco, um especialista em aves de rapina da ATNatureza, a associação promotora do projecto. “Para além do contributo para a conservação destas espécies ameaçadas, esta é também uma questão de zelar pela saúde de quem consome esta carne”.


O projecto

O projecto Anti-envenenamento no Mediterrâneo é coordenado pela Vulture Conservation Foundation (VCF)LINK, com o apoio da Fundação MAVA (LINK), surgiu com o objectivo de diminuir a mortalidade em abutres e outras espécies necrófagas e predadoras, causada pelo uso ilegal de venenos, mas também pelos envenenamentos indirectos, provocados pela utilização de munições com chumbo ou de determinados fármacos de uso veterinário. As acções do projecto realizam-se maioritariamente nas regiões onde estas problemáticas têm mais expressão, como os Balcãs (Albânia, Grécia, Croácia, Bosnia e Herzegovina, Macedónia e Sérvia), Portugal, Espanha e alguns países do norte de África (Marrocos, Tunísia e Egipto).

Uma das acções do projecto, na qual se integra esta actividade, passa por estabelecer áreas piloto onde se pretende sensibilizar os caçadores e gestores cinegéticos para a problemática do chumbo no ambiente, em particular quando ingerido pelas espécies de fauna silvestre e também para os riscos inerentes a própria saúde humana, causados pela ingestão de partículas de chumbo. 
Nesta intervenção, os participantes tiveram também oportunidade de testar, na prática, estas munições da nova geração no Campo de Tiro do Douro Sul, em Tarouca ( http://www.clubedetirodourosul.pt/)

No final dos testes foram distribuídas pelos participantes, munições que serão por eles testadas na prática do acto venatório. Ficaremos a aguardar a sua avaliação sobre o comportamento e eficácia das munições e da participação na experiência!

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Hunters and hunting area managers test lead-free ammunition to minimize adverse effects on wildlife species and human health

On February 29th, ATNatureza promoted testing of lead-free ammunition for hunting area managers. In this action, hunters and  hunting area managers  participated, who were sensitized about the negative consequences of the use of lead ammunition for necrophagous species and in the quality of hunt meat, which is subsequently consumed.

Valuable information and experience

Participants were able to contact information provided by an ammunition specialist, who explained the technical differences between conventional lead ammunition and alternative ammunition of the new generation, consisting of alternative metal alloys, free from that heavy metal. These ammunitions, in addition to being equally effective, or even superior, in terms of ballistic behaviour, have the advantage of not fragmenting when striking the hunting piece. “This is one of the fundamental differences between the two types of ammunition: lead ammunition fragment when it hits the target, and tests carried out in a controlled environment have shown that, on average, lead projectiles lose about 23% of their weight after the collision, while the new generation ammunition remains intact ”, said Dr. Rui Pereira (CACICAMBRA), who collaborated on this experience. "It is also a way of promoting the full use of meat, since there is no contamination of the meat with this type of projectiles, instead of what occurs with lead".
The loss that occurs in the lead projectiles corresponds to small fragments that are usually incorporated in the hunting piece, contaminating the meat in the area of ​​the projectile's path. This meat should not be consumed, either by humans or by wildlife, given the high toxicity of this heavy metal. These particles, once ingested, are degraded and absorbed into the bloodstream, are bio-accumulative and can develop levels of acute toxicity that can cause physiological, behavioural changes and even death.

Information was also conveyed, unknown to many, about the effects that the ingestion of these particles has on necrophagous species, which can feed on uncharged animals or their remains. This problem is well known in aquatic birds, namely anatids, but it is still unknown for this group of species, which are particularly sensitive, as they have high longevity and long life cycles, with late sexual maturity and low productivity, especially in areas where larger game constitutes an important proportion of its food. “Some of the species with necrophagous habits that occur in Portugal, such as the black vulture, the Egyptian vulture and the imperial eagle, have small populations and are threatened, so minimizing the impact of this threat certainly contributes to its conservation ”Said Carlos Pacheco, a specialist in birds of prey from ATNatureza, the association promoting the project. “In addition to contributing to the conservation of these endangered species, this is also a matter of ensuring the health of those who consume this meat”.

The project

The Anti-poisoning project in the Mediterranean is coordinated by the Vulture Conservation Foundation (VCF) LINK, with the support of the MAVA Foundation (LINK), with the aim of reducing mortality in vultures and other necrophagous and predatory species, caused by the illegal use of poisons, but also by indirect poisoning, caused by the use of leaded ammunition or certain veterinary drugs. The actions of the project are mainly carried out in the regions where these problems have more expression, such as the Balkans (Albania, Greece, Croatia, Bosnia and Herzegovina, Macedonia and Serbia), Portugal, Spain and some countries in North Africa (Morocco, Tunisia and Egypt).
One of the actions of the project, in which this activity is integrated, is to establish pilot areas where it is intended to sensitize hunters and game managers to the problem of lead in the environment, particularly when ingested by wild fauna species and also to the inherent risks human health itself, caused by the ingestion of lead particles.
In this intervention, the participants also had the opportunity to test, in practice, these new generation ammunition at the Campo de Tiro do Douro Sul, in Tarouca (http://www.clubedetirodourosul.pt/)

At the end of the tests, ammunition was distributed to the participants, which will be tested by them in the practice of the hunting act. We look forward to your evaluation of the behaviour and effectiveness of the ammunition and participation in the experiment!