terça-feira, 20 de setembro de 2011

Será que estamos a fazer um bom trabalho para a conservação da natureza na Faia Brava?

Todos os dias, ao percorrer os caminhos da Faia Brava, assalta-nos a seguinte dúvida: Será que estamos a fazer um bom trabalho para a conservação da natureza?
É uma questão legítima, que deve estar na base de qualquer projecto de conservação de natureza, e que não tem resposta fácil e rápida. No entanto, é possível ter uma resposta.
Para colmatar lacunas de conhecimento sobre espécies, habitats, o seu estado de conservação e a dinâmica das biocenoses na Faia Brava, a equipa técnica, em colaboração com inúmeros estudantes universitários, investigadores e voluntários, saem para o campo para recolher dados sobre espécies e habitats. Os dados são recolhidos ao longo de todo o ano e há ocasiões em que se faz um esforço extra para um determinado grupo de seres vivos.


Mas afinal que dados são esses?

São observações directas ou indirectas de fauna e flora, que permitem a identificação de espécies e a sua compilação primeiro que tudo
em listas. Estas listas ou inventários são, nada mais, nada menos, que o registo da biodiversidade que existe na Faia Brava. Esta recolha de dados é mais fácil para alguns grupos (aves ou flora) do que outros (mamíferos, insectos ou aranhas). No entanto, a única maneira de conservar seja o que for é saber o que existe num determinado local.
Toda a observação confirmada é depois inserida na base-de-dados de biodiversidade da Faia Brava e essa informação é também partilhada com a comunidade, através das plataformas Biodiversity4All e Naturdata, que possuem espaços exclusivos para a Faia Brava.
Qualquer visitante da Faia Brava pode também participar nesta tarefa tão importante de registo da biodiversidade e inserir os dados das suas identificações nestas plataformas.
Para saber o que fazemos com essa informação, não perca o próximo post sobre o Estudo e Monitorização de Biocenoses da Faia Brava.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

II Jornadas de Olivicultura Biológica

Decorreu nos passados dias 9 e 10 de Setembro em Figueira de Castelo Rodrigo as segundas jornadas de olivicultura biológica centrada nos temas bens e serviços do olival, biodiversidade funcional do ecossistema, gestão e conservação do solo e azeite, turismo e ambiente. Estiveram presentes cerca de 130 participantes ligados ao sector.


No dia 9, dedicado a apresentações, a ATN esteve representada pela bióloga Alice Gama com uma comunicação com o tema "Faia Brava - Área Protegida Privada, a importância do olival biológico". Para além das apresentações e debates houve também uma apresentação de trabalhos académicos relacionados com o tema e uma sessão de prova de azeites. No dia 10 foi realizada uma visita de campo a um olival de produção biológica.

Esta segunda edição teve uma organização conjunta de varias organizações lideradas pelo centro de investigação e tecnologias agro-ambientais e biológicas da Universidade de Trás os Montes e com a colaboração da ATN. O balanço final foi bastante positivo e esperamos estar presentes de novo nas III Jornadas de Olivicultura Biológica.

sábado, 17 de setembro de 2011

domingo, 11 de setembro de 2011

As grandes (e pequenas) aves da Reserva da Faia Brava

Domingo, 2 de Outubro · 9:00 - 13:30
  
Integrado no fim de semana europeu de observação de aves, vimos convidá-lo a descobrir as aves da Faia Brava num percurso pedestre pelo lado mais selvagem do Vale do Côa.

Inicio: 9:00h junto à igreja de Algodres.

Inscrições e informações:
271311202
geral@atnatureza.org

Inscrição gratuita para sócios da ATN e SPEA

Dá gosto ver árvores mais altas do que nós!

Dá gosto ver as crianças crescer, sejam pessoas ou sejam plantas!

Especialmente quando há meia dúzia de anos, estas plantas eram apenas pequenas e incógnitas sementes de Fraxinus, ripadas às "mãozadas" dos ramos das suas mães (ou pais).

Dentro de sacas e baldes, foram para o viveiro (maternidade de árvores como lhes chamam os britanicos), para serem espalhados em grandes alfobres de boa terra escura e húmida. Na Primavera seguinte germinaram,e quando tinham apenas duas folhinhas ligadas, foram separadas umas das outras e metidas em cuvetes individuais. Esperaram mais de meia-dúzia de meses, sobrevivendo ao estio seco, poeiroso mas coalhado da Sabóia, sob a protecção da malha-sol e sorvendo as regas que foi possível fazer. Até que numa fresca, e fria, manha de Outono as mãos de algum voluntário (provavelmente pertencente ao Colectivo Geminal) as tratou de sacar da cuvete e carinhosamente lhes depositou o raizame nalgum recanto ignoto e remoto da Faia Brava.

A partir daí foi a verdadeira aventura das plantulas, entregues à sua sorte, esperando arduamente umas gotas de chuva em Agosto, evitando a pisadela do garrano e a fuçadela do javali, engrossando, engrossando lentamente, deitando corpo, caule, ramos, raizes e fazendo crescer a pequena sombra da folhagem no seu pedaço de terra.

Um dia destes se tudo assim se mantiver, e se por exemplo os incêndios de Verão continuarem a evitar estes rochedos do Côa, a planta até vai criar uma casca rude e rija como os cornos da ovelha terrincha, que não lhe deixará entrar na seiva, nem besouro nem fungo nem fogo frio, mas que servirá para que algum gato lhe trepe acima e do alto da ramada contemple o seu feudo. Mas ainda melhor vai ser quando esta planta passar a dar sementes, profusos cachos verdes e amarelos de milhares de sâmaras, que vão abanar ao vento como que acenando a alguém que ali passe para lhos ripar ou simplesmente atirar ao vento Suão, e assim perpetuar o ciclo.

Assim queremos acreditar os que estamos apaixonados por esta Faia Brava, ... ou antes por esta Terra.

Que cresçam as árvorezinhas!