Na sequência da emissão de uma reportagem da RTP (Jornal da Tarde, Abutres do Tejo e do Douro passam fome, do dia 25 de Março de 2012) sobre a situação das aves necrófagas, a Associação Transumância e Natureza (ATN) vem por este meio apresentar alguns esclarecimentos sobre esta matéria.
O contexto da reportagem
A Associação Transumância e Natureza falava com os jornalistas não da seca, mas do efeito negativo que a legislação europeia tem tido nestas populações, já que a proibição de abandono de carcaças de animais domésticos no terreno faz com que as populações de aves necrófagas tenham maior dificuldade em se alimentar. Na região onde opera a ATN (ZPE vale do Côa), no entanto, verificamos que muitas vezes a legislação não é cumprida, já que há muitos animais de morrem em parte incerta, ficando de facto no terreno e não havendo lugar à recolha das carcaças.
A legislação foi entretanto alterada, permitindo aos países que possuem populações de aves necrófagas conservar estas aves, permitindo aos produtores de gado a deposição/abandono de carcaças no campo. No entanto, espera-se ainda uma decisão por parte do Ministério do Ambiente (e da Direcção Geral de Veterinária) sobre a transposição desta para a legislação nacional.
Sobre a seca e as necrófagas
A reportagem menciona um efeito negativo da seca nas populações destas aves, o que não tem qualquer fundamento científico. A haver algum efeito, este poderá, em hipótese, ser precisamente o contrário. A seca pode provocar uma mortalidade mais elevada em herbívoros domésticos ou silvestres, o que poderá aumentar a disponibilidade alimentar dos abutres.
É extremamente importante dizer que os abutres NÃO ESTÃO A MORRER À FOME. As populações de aves silvestres têm oscilações anuais consideráveis e muitos factores influenciam o seu sucesso reprodutor e a sua sobrevivência (disponibilidade alimentar, perturbação, clima, etc). Nestas populações, o primeiro ano de vida das aves é o mais crítico, registando-se SEMPRE uma mortalidade natural bastante elevada, quer no ninho, quer numa fase posterior, quando as crias iniciam a fase de dispersão e busca de alimento. É muito difícil avaliar um ano isoladamente e concluir que uma população está a morrer à fome. As entidades que efectuam o seguimento anual destas aves recolhem dados sobre o número de casais nidificantes e sobre o número de crias voadoras (o vôo da cria determina o sucesso de um casal). Os dados são analisados em séries de anos (5, 10 anos, 20 anos, etc), que permitem observar tendências na população. E são essas tendências que indicam o estado de conservação de uma determinada espécie.
A situação actual das aves necrófagas
As populações de Grifo têm de facto AUMENTADO nos últimos anos (dados da ATN referentes ao número de casais nidificantes no vale do Côa). O Abutre-negro, que estava extinto como nidificante em Portugal, voltou a nidificar de forma natural. São poucos casais ainda, mas mostram que é possível recuperar estas espécies, trabalhando ao nível dos habitats e aumentando a tranquilidade de áreas importantes para estas aves. No vale do Côa, a população de Britango tem-se mantido estável nos últimos anos, e os restos de talho colocados no campo de alimentação da Faia Brava não são mais do que um SUPLEMENTO, já que esta espécie é também caçadora e tem uma dieta extremamente diversificada.
Estas são aves com elevado estatuto de conservação, NO ENTANTO, o nosso país tem um papel importante na sua salvaguarda e deve continuar a trabalhar arduamente para a sua conservação.
Mesmo que com uma pequena ajuda de medidas de excepção e pontuais como os alimentadores de abutres, os dados de estudos científicos e do seguimento anual destas populações que é levado a cabo por associações e pelo Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade apontam para uma situação para já estável no nosso país.
A ATN e a conservação das aves necrófagas
Finalmente, a Associação Transumância e Natureza vem apresentar a sua disponibilidade total para prestar mais esclarecimentos, de forma a permitir que a população seja infomada de forma mais detalhada sobre a importância destas espécies e sobre as medidas concretas que são implementadas no terreno para a sua conservação.
Na página web da ATN podem encontrar alguns trabalhos de investigação sobre o Britango da autoria de João Godinho e Eduardo Realinho (Universidade de Aveiro) e o relatório anual sobre a situação das aves rupícolas na Faia Brava - vale do Côa.
Na Faia Brava existe um campo de alimentação de aves necrófagas, que funciona de Março a Agosto - período de presença do Britango no nosso país. Nele são colocados restos de talho (oferecidos pelos supermercados locais) e, pontualmente, carcaças de equinos, asininos e animais silvestres vítimas de atropelamentos. Este campo de alimentação é gerido para a conservação do Britango no vale do Côa e presentemente é alvo de um estudo científico que estuda o seu impacto sobre o Britango e outras espécies necrófagas da Faia Brava. Apesar de ser uma medida de conservação válida, aplicada em muitos países e que apenas fornece um pequeno suplemento alimentar a esta espécie, não deixa de ser uma forma artificial de conservar uma população. Por isso, a ATN acredita que é importante estudar de forma continua este e outro tipo de medidas e ver o seu impacto real na natureza.
Para além do alimentador, a ATN realiza o seguimento anual da época de reprodução de todas as aves rupícolas da ZPE do vale do Côa e na Faia Brava, e efectua uma vigilância apertada de todas as actividades humanas na Faia Brava. A tranquilidade das aves é uma das medidas mais eficazes para a sua conservação, para além da sensibilização da população local.
De forma a financiar o funcionamento do alimentador e apoiar o trabalho de investigação dos estudantes da Universidade de Aveiro, a ATN construiu um abrigo de observação/fotografia no interior da vedações, onde é possível observar a alimentação das aves a 10 metros de distância.
terça-feira, 27 de março de 2012
segunda-feira, 26 de março de 2012
Mais dois nascimentos na manada dos Garranos
Desde ontem, a manada de garranos da Faia Brava passou a ter mais dois elementos, tendo chegado aos 30 elementos. Esperam-se ainda mais nascimentos esta semana.
Fazemos um convite aos padrinhos e outros interessados para fazerem uma visita. Estes garranos mal nasceram já têm padrinhos, já que a lista de espera é concorrida. Os padrinhos são aliás mais do que simples apoiantes do projecto, eles são os donos dos cavalos de apadrinham.
Ficam aqui algumas fotos dos recém nascidos.
Caminhada pelo Castanheiro do Guilhafonso 24 de Março
No passado dia 24 de Março, a caminhada pelo castanheiro de Guilhafonso correu muito bem. Foram 24 os participantes e ainda participámos no Limpar Portugal, apanhando 900 litros de lixo, ao longo do caminho.
No final da actividade, tivemos a visita de Gonçalo Amaral, responsável pelas zonas verdes do Município da Guarda, que explicou aos participantes os resultados da visita de Luís Martins, técnico da UTAD, especialista em questões de arboricultura. Recolheram amostras de solo e ramos, da parte superior da copa, que estão podres.
Como resultado da análise, o trânsito debaixo do Castanheiro vai ser interditado, e vai fazer-se um arejamento do solo superficial.
Foi colocada uma sonda na base do castanheiro, que percorreu uma grande distância no interior da árvore, o que quer dizer que está a ficar oca por dentro.
O relatório ainda não está terminado e só depois se irão decidir sobre intervenções que possam ajudar a recuperação do castanheiro gigante e de outros que estão perto deste.
Ficam algumas fotos do evento, da autoria do Mário Vaz e Ricardo Nabais.
No final da actividade, tivemos a visita de Gonçalo Amaral, responsável pelas zonas verdes do Município da Guarda, que explicou aos participantes os resultados da visita de Luís Martins, técnico da UTAD, especialista em questões de arboricultura. Recolheram amostras de solo e ramos, da parte superior da copa, que estão podres.
Como resultado da análise, o trânsito debaixo do Castanheiro vai ser interditado, e vai fazer-se um arejamento do solo superficial.
Foi colocada uma sonda na base do castanheiro, que percorreu uma grande distância no interior da árvore, o que quer dizer que está a ficar oca por dentro.
O relatório ainda não está terminado e só depois se irão decidir sobre intervenções que possam ajudar a recuperação do castanheiro gigante e de outros que estão perto deste.
Ficam algumas fotos do evento, da autoria do Mário Vaz e Ricardo Nabais.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Passagem para peões ao longo da Grande Rota
Foi hoje aberta uma passagem na nova vedação da Faia Brava, para os utilizadores da Grande Rota do Vale do Côa. Esta passagem foi construída com ajuda de dois estagiários da Escola Secundária de Figueira de Castelo Rodrigo e permite a passagem de pessoas, impossibilitando simultaneamente a saída de cavalos e vacas.
Uma vedação pode ser uma barreira grande à movimentação da fauna. A ATN não utiliza arame farpado nas suas vedações e coloca sempre as aberturas maiores da rede ovelheira junto ao solo (ao contrário do que normalmente se faz), tentanto assim evitar acidentes ou mortalidade de animais.
Nas próximas semanas vamos também abrir passagens para a fauna, nos trilhos que já eram utilizados por inúmeras espécies e que são bem visíveis no terreno (corredores no meio da vegetação, marcação com excrementos no caso dos mamíferos carnívoros, etc).
Numa fase final, será dada prioridade à criação de sebes ao longo das vedações, que passam a ser assim corredores ecológicos e refúgios para inúmeras espécies. As plantas normalmente utilizadas fornecem também alimento na forma de frutos.
Ficam algumas fotos, para verem como são construídas estas passagens para pessoas.
Uma vedação pode ser uma barreira grande à movimentação da fauna. A ATN não utiliza arame farpado nas suas vedações e coloca sempre as aberturas maiores da rede ovelheira junto ao solo (ao contrário do que normalmente se faz), tentanto assim evitar acidentes ou mortalidade de animais.
Nas próximas semanas vamos também abrir passagens para a fauna, nos trilhos que já eram utilizados por inúmeras espécies e que são bem visíveis no terreno (corredores no meio da vegetação, marcação com excrementos no caso dos mamíferos carnívoros, etc).
Numa fase final, será dada prioridade à criação de sebes ao longo das vedações, que passam a ser assim corredores ecológicos e refúgios para inúmeras espécies. As plantas normalmente utilizadas fornecem também alimento na forma de frutos.
Ficam algumas fotos, para verem como são construídas estas passagens para pessoas.
quinta-feira, 22 de março de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
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